A "sinistra" 1ª dama da Venezuela

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Cilia Flores é a ‘primeira dama venezuelana’ desde cinco de março de 2013. Ela também é advogada e deputada na Assembleia Nacional da Venezuela , da qual foi presidente entre 2006 a 2011, representado seu estado natal, Cojedes. Porém, ao contrário da maioria das primeiras-damas que ganham visibilidade quando o cônjuge ascende ao poder, nesse caso foi o inverso, foi a influência de Cilia junto ao ditador Hugo Chaves que abriu caminho para que Maduro tomasse o poder na Venezuela.

Em 1992, o então tenente-coronel Hugo Chaves tentou derrubar o presidente Carlos Andres Perez com um golpe de estado, numa ação que causou a morte de 14 soldados que protegiam o presidente e 80 civis (é golpe de estado é assim, grupos armados, tiroteio, mortos e feridos – não dá para fazer só com bíblia e batom) por fim golpe fracassou e Chaves acabou sendo preso. Porém, sua pena foi atenuada em grande parte pelo trabalho da jovem advogada Cilia Flores. Apesar da violenta tentativa de golpe, Chaves permaneceu apenas dois anos encarcerado.

Sempre discreta, porém poderosa, em 2015, Cilia se viu a contragosto nas manchetes quando dois sobrinhos seus, Efraim e Francisco Flores, foram presos no Haiti tentando traficar 800 quilos de cocaína para os Estado Unidos. Foi ela também que silenciou os jornalistas venezuelanos e colombianos, na primeira ‘reeleição’ de Maduro em 2016 quando começaram a questionar sobre os boatos que o caudilho teria nascido no município colombiano de Cúcuta, o que o impediria de continuar no comando na nação pois a constituição venezuelana reza que só venezuelanos natos – nascidos em território nacional – possam ocupar a presidência. Os pais de Maduro são colombianos e residiam em Cúcuta no início dos anos 1960, Maduro nasceu em 1962.

Mesmo na atual crise, com o inimigo gringo nos portões de Caracas, coube a Cilia desenhar um eventual plano de fuga. Isso mesmo, não é nenhum general ou almirante que está tratando desse assunto. Caso o ditador tente escapar da Venezuela é a primeira dama quem está à frente negociando uma saída seja com presidentes da Colômbia e da Nicarágua, com diplomatas chineses ou mercenários russos do Grupo Wagner. Talvez seja essa a missão mais difícil de Cilia Flores

Foto de Eduardo Negrão

Eduardo Negrão

Consultor político e autor de "Terrorismo Global" e "México pecado ao sul do Rio Grande" ambos pela Scortecci Editora.