Interação e espontaneidade: lives ganham popularidade entre brasileiros

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Diz a máxima que “quem sabe, faz ao vivo”. O recente sucesso das lives de todos os tipos na Internet brasileira parece confirmar que a frase de efeito é real. Afinal, as transmissões ao vivo estão, aos poucos, se tornando a preferência no país.

De telejornais a aulas, passando por transmissões esportivas, shows musicais e até análise financeira: parece ter uma live para tudo hoje em dia. São transmissões atrás de transmissões, no YouTube, Instagram e Twitch. Algumas até movimentando muito dinheiro. Mas o que explica essa tendência?

Assistir, mas também ser ouvido

Por muito tempo, os programas de TV e rádio ao vivo traziam um atrativo extra: a espontaneidade. Afinal, mesmo com todo o ensaio e preparo do mundo, o imprevisível ainda poderia ocorrer.

Entretanto, há outro fator muito forte que deve ser considerado nas lives atuais: o potencial de interação. Afinal, o espectador agora não é alguém que “só” assiste. Ele tem um campo de comentários a seu favor, pronto para interagir com quem faz a transmissão.

De repente, o espectador não está só na plateia: ele pode fazer parte do espetáculo. Inclusive, com o bolso.

Interação lucrativa para todos

É comum nas ferramentas de lives ter algum mecanismo comercial para o usuário. Essa é uma forma de monetizar a atração para influenciadores e empresas.

Normalmente, essas ferramentas permitem que o espectador envie dinheiro para ter seu comentário lido ou ganhar algum tipo de benefício na transmissão. Trata-se de uma nova cultura de entretenimento, em que o espectador paga e se diverte ao vivo.

E a diversão não fica restrita a influenciadores nas redes sociais. Muitas plataformas de jogos também usam lives em suas estratégias. Por exemplo, em sites de apostas, é comum encontrar salas ao vivo em que os jogadores podem apostar na transmissão de um crupiê. Inclusive, as casas podem enviar surpresas aos jogadores na forma de bônus de bets. Em alguns casos, é possível até ganhar giros grátis em outras atividades após fazer apostas online.

No entanto, as maiores cifras são movimentadas nas lives do varejo. Conhecidas como “live commerce”, essas transmissões são extremamente populares na China e começam a ser testadas aqui. Inicialmente, fazem sucesso nas redes sociais, mas já chamam a atenção de grandes lojistas do país.

Em resumo, as lives contam com um apresentador que interage com os espectadores — mostrando produtos, gerando desejo e, claro, criando vendas para a empresa. A estratégia tem funcionado: cerca de 28% dos brasileiros já compraram produtos durante transmissões ao vivo.

Uma nova forma de se entreter

Se quando surgiram, em 2020, as lives nas redes sociais eram uma maneira de passar o tempo e até de aproximar os fãs dos artistas, agora se tornaram um negócio com potencial lucrativo.

Essas transmissões deixaram de ser só distração para se tornarem vitrine, palco e balcão de vendas. Entre interação, espontaneidade e recompensa imediata, as lives criaram um novo tipo de entretenimento: ao vivo, em tempo real e com o público no centro. 

Seja comentando, comprando ou apostando, o espectador deixou o papel de plateia e virou protagonista. E nessa nova lógica, quem domina a live, domina a atenção. E atenção é ouro.