
Desaparecimentos forçados de quem não agrada o regime do tirano Nicolas Maduro vem à tona
31/08/2025 às 10:48 Ler na área do assinante
A Provea, principal organização de direitos humanos da Venezuela, documentou 23 casos de desaparecimentos forçados entre setembro de 2024 e maio de 2025 no país. O relatório especial divulgado neste sábado (31), data que marca o Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimentos Forçados. O documento evidencia um padrão sistemático de repressão durante o governo de Nicolás Maduro.
Das 23 pessoas detidas, apenas quatro foram libertadas até o momento. A organização ainda não conseguiu obter informações sobre o paradeiro de outras quatro vítimas. As detenções aconteceram em diferentes regiões venezuelanas, com maior concentração no estado de Táchira, na fronteira colombiana.
O advogado Eduardo Torres Muñoz figura entre os casos documentados. Ele saiu para trabalhar em 9 de maio em Caracas e não retornou para casa. Sua esposa, Emiselys, passou oito dias sem notícias sobre seu paradeiro.
"Eu descobri pela televisão. [O procurador-geral da Venezuela] Tarek William Saab deu uma entrevista mostrando um organograma com a foto do Eduardo, dizendo que ele estava detido", relata Emiselys.
O coordenador da Provea, Oscar Murillo, aponta características preocupantes nas detenções registradas no país.
"A maioria das detenções, cerca de 73,9% dos casos, foi realizada por organismos militares contra civis, como a Direção Geral de Contrainteligência Militar e a Guarda Nacional Bolivariana", diz Murillo.
O levantamento identifica que as acusações contra os detidos incluem terrorismo, financiamento ao terrorismo, incitação ao ódio, conspiração e traição à pátria. O sistema judiciário e os centros de detenção negam informações às famílias, restringem visitas e impedem a atuação de advogados escolhidos pelos detidos.
"Há um padrão generalizado de desaparecimentos forçados que violam gravemente os direitos humanos. Na maioria dos casos, o paradeiro das pessoas só foi descoberto em um período médio de sete meses", afirma Murillo.
A Provea identificou aumento nas práticas repressivas após as eleições presidenciais de julho de 2024. Os protestos que seguiram o pleito, marcado por evidências de fraude, resultaram em 28 mortes, aproximadamente 200 feridos e mais de 2.400 prisões em território venezuelano.
Entre os 23 casos documentados pela ONG, sete são mulheres, o que representa 30% do total. Todas as pessoas detidas foram transferidas para centros de reclusão em Caracas ou arredores, independentemente do local onde foram capturadas inicialmente.
Murillo analisa o contexto político do país:
"Tudo o que ocorre no país tem como origem a crise de legitimidade que o regime de Maduro tentou sufocar com mais repressão e ameaças. O resultado é a maior regressão antidemocrática da América do Sul".
Emiselys, casada há 30 anos com Eduardo, enfrenta dificuldades financeiras e emocionais com a ausência do marido. O casal tem dois filhos: uma menina de 13 anos e um jovem de 20, estudante de Direito.
"Eduardo era o sustento da casa. Eu não trabalhava. Agora preciso cuidar de tudo: da casa, dos filhos, das contas", declara. A situação afeta também os filhos do casal.
"É muito difícil para os dois. O mais velho às vezes se pergunta para que seguir [com os estudos] se aqui não se respeitam os direitos, e a carreira de advogado parece não existir", diz Emiselys, que mantém uma rotina de visitas ao centro de detenção.
As restrições às visitas aumentaram recentemente.
"Agora, só permitem às sextas. Era a única forma de sentir alguma conexão [com ele], e agora está ainda mais restrito", afirma. Ela relembra as palavras do marido, que dizia que "o medo sempre existiu", mas "que não podia se deixar paralisar".
"Se não lutarmos hoje pela Constituição e pelos direitos humanos, serão nossos filhos ou netos que terão que fazê-lo amanhã", diz Emiselys, reproduzindo o pensamento de Eduardo.
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