Cineasta Luiz Carlos Barreto em “Carta Aberta” dá dura em ministro da Cultura

No Facebook o ministro da Cultura Sérgio Sá Leitão fez críticas sobre o desempenho dos filmes brasileiros no mercado.

Segundo ele, dos 881 filmes produzidos desde 2012, 438 tiveram a média de 3.650 ingressos vendidos.

A constatação, verdadeira por sinal, provocou a ira do cineasta Luiz Carlos Barreto, que em represália fez uma dura ‘Carta Aberta’ a Sá Leitão, onde classifica as declarações como ‘no mínimo, precipitadas, inoportunas neste momento em que lutamos pela renovação da Lei do Audiovisual’.

Na sequência, o cineasta faz outras ponderações, e conclui advertindo o ministro: ‘Nunca mais compare filmes com seu concorrido Facebook’.

Veja abaixo a íntegra da carta: 
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"Prezado Sérgio,
Suas declarações sobre o fracasso comercial dos filme brasileiros no mercado de salas de cinema são, no mínimo, precipitadas, inoportunas neste momento em que lutamos pela renovação da Lei do Audiovisual. A comparação que você fez dos filmes em seu Facebook é desrespeitosa e desnecessária.

Os números que você anunciou fazem parte de um estudo que o Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual está desenvolvendo e não deveriam estar sendo divulgados na imprensa antes que esse estudo esteja concluído.

Já que você não se conteve em manter esse assunto no âmbito da profissão deveria ter ido mais fundo para esclarecer que essa má performance dos filmes brasileiros deve-se a um MERCADO sem regulação, sem fiscalização, funcionando na base da lei da selva ao sabor dos agentes mais fortes (exibidores, distribuidores) que desenvolveram uma politica predatória transformando as salas de cinema em verdadeiros motéis de filmes, com horários fracionados e alteração de programação de uma hora pra outra. Isto para não falar da politica de preços que levou o Brasil a ter um dos maiores e mais altos preços médios do ingresso (US$ 5 dólares) no mundo.

É preciso ter consciência e saber que todas as conquistas e todo caminho percorrido para chegarmos (com fracassos e sucessos) onde hoje estamos, sabendo preservar e ampliar essas conquistas enquanto as instancias governamentais do setor estiveram sob o controle da classe cinematográfica, ou seja, aqueles que fazem acontecer os filmes, o cinema.

Enfim, quero lhe pedir mais respeito e até mesmo um pouco de reverencia àqueles que verdadeiramente produzem, dirigem, atuam e dão sua contribuição técnica a magia do cinema.

Nunca mais compare filmes com seu concorrido Facebook.

Luiz Carlos Barreto".

da Redação

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