Roberto Corrêa Ribeiro de Oliveira

Médico anestesiologista, socorrista e professor universitário

Redação do ENEM 2017 e o fantasma da censura oficial

Um alerta aos alunos e a sociedade como um todo.

É simplesmente preocupante verificar que o bem mais precioso de uma democracia, A LIBERDADE DE EXPRESSÃO, está em risco.

Sorrateiramente uma ditadura cruel se instala em nosso país.

Nos dias 5 e 12 de novembro, iniciam-se as provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e uma preocupação a mais, importuna não só os candidatos desta prova, mas todos os cidadãos conscientes preocupados com a democracia brasileira. 

Os critérios de correção da prova de redação estão sendo alvo de uma disputa jurídica, entre a Associação Escola Sem Partido, que defende a liberdade de expressão, e os organizadores da prova, que pregam a ditadura do politicamente correto.

Segundo os organizadores do exame, um dos critérios para o aluno ter a sua prova de redação zerada, pior, nem mesmo corrigida, é expor algum tipo de opinião considerada agressiva aos direitos humanos.

A despeito da Justiça Federal, a 5° turma do TRF-1 (Tribunal Federal da 1° região), por 2 votos à 1, ter dado parecer favorável à reivindicação da Associação Escola Sem Partido, que luta pelo direito de liberdade de expressão, os organizadores do Enem, recorrerão da decisão da justiça.
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Logo, aconselho aos candidatos do exame, a incorporarem antes de escreverem seu texto, algum espírito revolucionário socialista, o mesmo espírito que os professores e alunos veteranos tentarão enfiar goela à baixo dos futuros aprovados nas instituições federais.

Uma vergonha, um desrespeito, um perigo à nossa tão fragilizada democracia.

Como escreveu o poeta Mayakovsk:

“Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.”
A sociedade ainda não se deu conta deste perigo. Aos poucos estamos sendo castrados. Atitudes como esta, tem como real e principal objetivo, nos impedir de pensar, questionar e reagir.

O escritor e visionário, George Orwell, autor de clássicos como "A Revolução dos Bichos" e "1984", já denunciava na década de 40, uma censura velada às suas publicações que criticavam o comunismo.

" Esse tipo de coisa não é um bom sintoma. Obviamente, não desejamos que nenhum departamento do governo tenha poder de censura sobre livros que nem contam com patrocínio oficial."
Continua:
" Neste país, à covardia intelectual é o pior inimigo que um escritor ou jornalista precisa enfrentar, e esse fato não parece estar sendo tão discutido quanto merecia." (George Orwell 1947 - A liberdade de imprensa - prefácio proposto pelo autor à primeira edição inglesa, de 1945, do clássico "A Revolução dos Bichos").
Saudade do meu tempo de vestibular, quando os professores de redação orientavam para que apenas defendêssemos com coerência e lógica o nosso posicionamento, fossem eles quais fossem. A capacidade de defesa de uma ideia e o respeito as regras gramaticais e de concordância era o que realmente importava.

Atualmente, os censores governamentais, escravos do politicamente correto, não se contentam em selecionar apenas  pela etnia e pela condição social, estão utilizando também o critério do alinhamento ideológico, para escolherem o seu potencial exército de zumbis socialistas.

Uma lástima.

Roberto Corrêa Ribeiro de Oliveira

Médico anestesiologista, socorrista e professor universitário

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