
O documento do Banco Central que serviu como base para magistrada mandar soltar Daniel Vorcaro
29/11/2025 às 15:53 Ler na área do assinante
Um documento do Banco Central (BC) auxiliou Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, a conseguir a revogação de sua prisão preventiva na Justiça. A desembargadora Solange Salgado, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), decidiu pela libertação do executivo nesse sábado (29), após analisar o ofício que detalhava uma reunião realizada horas antes da operação policial que investigou fraudes financeiras estimadas em R$ 12 bilhões.
Os advogados de Vorcaro anexaram ao processo um documento assinado por Paulo Sérgio Neves de Souza, chefe-adjunto do departamento de supervisão bancária do BC. O registro comprova que o empresário participou de uma videoconferência com o diretor de fiscalização do Banco Central, Aílton de Aquino Santos, e com o chefe do departamento de supervisão bancária, Belline Santana, no dia 17 de novembro.
Durante o encontro virtual, que ocorreu entre 13h30 e 14h10, Vorcaro informou aos representantes da autoridade monetária sobre sua viagem programada para Dubai, nos Emirados Árabes. Aproximadamente nove horas depois, por volta das 22h, ele foi detido no aeroporto de Guarulhos quando tentava embarcar em um jato particular com destino a Malta.
Na decisão que substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares, a magistrada afirmou:
"Os impetrantes anexaram prova demonstrando que o paciente comunicou previamente ao Banco Central sua viagem internacional com destino a Dubai, tendo informado formalmente o motivo da viagem — venda de instituição financeira — durante reunião oficial realizada na mesma data do embarque".
A desembargadora concluiu que "o risco residual de evasão do distrito da culpa mostra-se controlável por meio de medida menos gravosa, consistente na entrega e retenção do(s) passaporte(s), revelando-se esta providência apta e proporcional."
O BC esclareceu no documento que tanto o diretor de fiscalização quanto o Departamento de Supervisão Bancária não receberam "correspondência, e-mail ou mensagem escrita" sobre a "viagem para finalização das tratativas com investidores árabes". A comunicação feita por Vorcaro ocorreu apenas verbalmente durante a videoconferência, que não foi gravada.
O ofício detalhando a reunião foi elaborado após solicitação formal da defesa de Vorcaro. Nele, consta que o executivo apresentou as medidas que estavam sendo implementadas para solucionar os problemas de liquidez enfrentados pelo Conglomerado Master.
"Na reunião o peticionante informou sobre as ações em curso para mitigar a crítica situação de liquidez do Conglomerado, informando que naquela data estava em tratativas com a Mastercard Brasil para formalizar novas condições contratuais que permitissem a liberação de recursos até então bloqueados em garantia, com o propósito de obter recursos suficientes para honrar as grades de liquidação do arranjo de pagamento", registra o documento do BC.
O empresário também explicou sua estratégia para encontrar uma solução de mercado para o conglomerado. "Na sequência, passou a discorrer sobre as negociações em curso na busca de uma solução de mercado para o Conglomerado Master, tendo trabalhado para alienar o Grupo em três partes e para diferentes investidores. Informou ter sido essa a motivação para ter solicitado a antecipação da audiência agendada para o dia 19 de novembro de 2025, pois pretendia divulgar, até o final do dia 17 de novembro de 2025, a venda do Banco Master S.A. para um grupo de investidores nacional, e que viajaria para Dubai, nos Emirados Árabes, naquele mesmo dia, para a assinatura do contrato e anúncio da operação com o grupo de investidores estrangeiro que também passariam a integrar o novo bloco acionário da instituição", detalha o documento.
Conforme o ofício, Vorcaro informou que realizaria naquela mesma tarde uma videoconferência com representantes do Departamento de Organização do Sistema Financeiro. "Sobre essa transação, disse que iria realizar naquela mesma tarde reunião por videoconferência com representantes do Departamento de Organização do Sistema Financeiro para informar que estariam, naquela mesma data, protocolando o contrato de intenção de compra e venda para o início do processo de autorização junto ao BCB", registra o documento.
O executivo manifestou expectativa de assinar o contrato de alienação da Will Financeira no dia seguinte, 18 de novembro. "Por fim, informou que esperava assinar o contrato de alienação da Will Financeira no dia 18 de novembro de 2025 e que estava trabalhando para anunciar até o final da semana a venda do Banco Master de Investimentos."
Durante as investigações da Operação Compliance Zero, técnicos do Banco Central relataram à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal pressões políticas em favor do Banco Master. Essas interferências teriam ocorrido inicialmente para aprovar a aquisição da instituição pelo BRB, vetada pelo BC em setembro, e posteriormente para adiar uma intervenção e viabilizar uma nova proposta.
O Banco Central optou por não se manifestar sobre o caso quando consultado.
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