A palestra da atriz Taís Araújo

Eu fui assistir com calma à palestra da Taís Araújo, e confesso que fiquei chocado.

Taís Araújo é uma atriz de sucesso, militante política, ativista importante, formadora de opinião, e toda a sua fala é um enorme gerador de lero-lero que mistura platitudes mundo-melhoristas com frases feitas tiradas de manuais de auto-ajuda, daqueles que você compra no aeroporto. Vejam esse exemplo (eu melhorei a gramática):
"Essa tem sido a questão da minha vida: como eu posso melhorar a vida das pessoas? E aí eu fico pensando que talvez a gente tenha que transformar os nossos pensamentos, as nossas falas, em ação. Entender que as ações individuais geram impacto diretamente no coletivo, e o coletivo somos nós. Somos a nossa sociedade. As pequenas ações são valiosas e capazes de mudar o mundo. E onde começa o mundo senão em nós mesmos?"
Esse conjunto de chavões, mais rasos que um pires, foi aplaudido efusivamente por uma plateia que pagou até R$ 200,00 pra ver a palestrante fingir durante 10 minutos uma expressão de Madre Teresa (que eu definiria como afetação de seriedade misturada com prisão de ventre) cuidadosamente pensada pra esconder a arrogância de quem se sente na vanguarda da espécie humana porque tem "afeto pelo próximo".

E quem diz que tem "afeto pelo próximo" mente descaradamente, porque é impossível sentir afeto por uma abstração: só se desenvolve afeição por quem se conhece (pela sua mãe, pela sua mulher, pelos seus filhos), não por uma tese, por uma ideia.
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A gente brinca, tira sarro, mas a verdade é que gente histérica como Taís Araújo presta um enorme desserviço a uma causa (em tese) justa.

Como as feministas, que ao qualificarem um assobio na rua como estupro e torturarem as estatísticas com afirmações mentirosas (como "no Brasil há um estupro a cada 11 minutos"), ou como o movimento gay que sai por aí dizendo que "o Brasil é o país que mais mata homossexual no mundo" (sério? Mais que no Afeganistão? Mais que no Iêmen? Mais do que no Irã?) dessensibilizaram o público e na prática banalizaram temas sérios, o movimento negro de hoje, ao tentar nos convencer que 49% da população troca de calçada ao avistar os outros 51%, faz pouco caso de quem REALMENTE sofre com racismo nesse país.

Se TUDO é racismo (e se TUDO é estupro, e se TUDO é homofobia), se não há medida, gradação e valoração, então é óbvio que toda violência é confundida com mais um elemento da paisagem e deixa de ser levada a sério.

A melhor coisa que poderia acontecer a esses movimentos seria gente como Taís Araújo, Jean Wyllys e Nana Queiroz calar a boca. Mas aí já é pedir demais.

(Texto de Rafael Rosset)

da Redação

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