

A atividade bancária é relativamente simples: o banco toma dinheiro emprestado de um lado e empresta do outro. Quem já emprestou dinheiro para familiares e não viu a cor do dinheiro de volta sabe o quanto é arriscado emprestar dinheiro. Ainda mais quando, do outro lado, existem credores esperando ser pagos.
Por isso, há inúmeras normas prudenciais que buscam mitigar esse risco. Assim, os bancos precisam manter um certo capital mínimo e emprestar o dinheiro dentro de certos critérios de segurança e liquidez, de modo a preservar a sua capacidade de pagar aos seus credores.
O que o BC reportou ao TCU foi justamente a deterioração dessa capacidade de pagamento por parte do Master. O banco tomou dinheiro no mercado e investiu, segundo o relatório do BC, em “ativos problemáticos e sem liquidez”, gerando uma necessidade de dar baixa em R$ 20 bilhões do seu patrimônio. Considerando que o banco fechou 2024 com um patrimônio líquido de R$ 5 bilhões, seria necessário pelo menos R$ 15 bilhões de capitalização só para fechar o banco. Nessa perspectiva, os tais R$ 3 bilhões que investidores árabes estariam dispostos a aportar estariam longe de resolver o problema.
A questão, simples e técnica, é essa: o Master tinha um buraco de R$ 20 bilhões em seu balanço, o que justifica a sua liquidação. As questões em aberto são as seguintes:
- Desde quando o BC conhece o tamanho desse rombo, o que, obviamente, inviabilizaria qualquer solução de mercado e levaria à liquidação do banco? Em outras palavras: o BC poderia ter liquidado o banco antes?
- O BRB fez a oferta pelo Master conhecendo a profundidade de seus problemas? Que interesses o banco estatal estaria representando?
- Por que alguns parlamentares propuseram uma lei que permitiria ao Congresso demitir diretores do BC?
- Por que Dias Toffoli tomou a si o inquérito das circunstâncias que levaram à liquidação do Master e a prisão de Vorcaro?
- Por que o Master assinou um contrato milionário com o escritório da família Moraes?
Tecnicamente, o problema do Master é relativamente simples. Mas a questão nunca é só técnica.
Marcelo Guterman. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.
Lula tentou esconder, mas sua verdadeira face foi exposta. Detalhes e revelações do passado do petista estão no livro "O Homem Mais Desonesto do Brasil - A verdadeira face de Luiz Inácio Lula da Silva". Aproveite enquanto é tempo. Clique no link abaixo:
Veja a capa:
















