A acareação de Toffoli: Cenário nebuloso e palco de encenações com um objetivo bem específico

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Quando a Justiça se transforma em palco de encenações, a verdade é a primeira a desaparecer.

A acareação determinada pelo ministro Dias Toffoli, envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central, foi marcada por tensão, contradições e sigilo.

O que parecia improvável aconteceu: Vorcaro compareceu pessoalmente em Brasília, contrariando rumores de que poderia estar fora do país. Seu retorno inesperado, sem qualquer menção ao acompanhamento de sua tornozeleira, parece mais do que coincidência.

Talvez tenha sido orientado por Toffoli, como peça calculada para sustentar ainda mais suas decisões rumo à reversão da liquidação.

Nesse cenário nebuloso, a acareação não trouxe clareza. Ao contrário, reforçou a percepção de que se trata de um ato preparatório para algo maior: a anulação da liquidação do Banco Master e a liberação de seu dono.

O ROTEIRO EM TRÊS ATOS

- Primeiro ato: a suspeita de ausência, desfeita pela aparição inesperada de Vorcaro.
- Segundo ato: a acareação extemporânea, marcada por versões contraditórias e pela ausência de transparência.
- Terceiro ato: o suspense que paira sobre a liquidação do Banco Master, com a possibilidade de reversão e liberação de seu dono.

PARALELOS HISTÓRICOS

Não é a primeira vez que decisões judiciais polêmicas abalam a confiança pública:

- Banco Santos (2005): liquidação contestada, cercada de pressões políticas e jurídicas.
- Panamericano (2010): intervenção estatal que expôs fragilidades regulatórias e interesses ocultos.
- Casos recentes no STF: decisões que, sob críticas, parecem atender a interesses específicos em detrimento da estabilidade institucional.

Esses episódios mostram que o caso Banco Master não é isolado, mas parte de uma tradição de embates entre poder econômico e poder institucional, em que o cidadão comum assiste perplexo, sem garantias de que a Justiça esteja realmente sendo feita.

O PAPEL DO MINISTRO

Ao determinar a acareação durante o recesso, Toffoli assume protagonismo em um momento delicado.

Críticos apontam irresponsabilidade, sugerindo que sua decisão pode ser apenas o ato preparatório para a cena principal: a anulação da liquidação e a liberação de Vorcaro.

O sigilo imposto reforça a sensação de que não se trata de esclarecer, mas de controlar a narrativa. A Justiça, nesse caso, não ilumina — apenas projeta sombras.

O QUE ESTÁ EM JOGO

- Credibilidade institucional: cada decisão controversa mina a confiança da sociedade no sistema.
- Impacto financeiro: a reversão da liquidação pode ter efeitos profundos no mercado bancário.
- Percepção pública: cresce a ideia de que a Justiça se tornou palco de interesses privados.

E assim, diante de uma plateia perplexa, resta a pergunta que ecoa:

Estamos diante de Justiça ou de um roteiro mal disfarçado?

Foto de Jayme Rizolli

Jayme Rizolli

Jornalista.