
O interesse do jornalismo, a notícia e a fofoca das loterias
02/01/2026 às 21:43 Ler na área do assinante
O que faz a imprensa divulgar como notícia que a tal da Paulinha Leite ganhou, de novo, na loteria, “abocanhando” pouco mais de R$11mil, mas não divulga que ela gastou R$232mil?
Portanto, para quem teve um prejuízo de R$221mil, até que está bom garantir sua imagem e negócio nas capas de jornais, né? De forma enviesada, tudo bem…
A moça, ou melhor, sua empresa, está em litígio judicial com a Caixa Econômica Federal por explorar bolões em jogos gerenciados pelo banco estatal. A Caixa alega que esse negócio é exclusividade deles.
E a moça ainda provoca nas redes sociais...

Não vou entrar na treta deles. A minha questão é porque a imprensa divulga tanto uma situação grotesca como essa...
Será que por sua condição de influencer - uma ex-BBB, facilita para a imprensa a cooptação de fanáticos para sua audiência?
Será que é matéria paga?
Essa situação que envolve loterias, sob o ponto de vista do jornalismo, coloca no chinelo dois casos emblemáticos que estão, ou estiveram, sei lá, na esteira de crimes e investigações. Era NOTÍCIA por este motivo. Em outras palavras, o jornalismo fazia seu papel de informar a sociedade, com vistas ao interesse público.
Em 1993, no caso das denúncias contra os Anões do Orçamento, o deputado federal João Alves de Almeida, ou simplesmente João Alves (já falecido), justificou nas investigações que seu enriquecimento súbito seria por ter a “sorte” de ganhar mais de 200 vezes na loteria.
Mais recentemente, o contador João Muniz Leite, que já foi contador do Lula, com ligações com as empresas do Lulinha, é acusado de lavagem de dinheiro para o crime organizado, e que também justificou sua movimentação milionária por ter ganho, apenas no ano de 2021, mais de 50 vezes na loteria.
É por essas e outras que o jogo do bicho sobrevive. Uma contravenção penal "proibida" desde 1941 no país, tem adeptos que fazem suas apostas na miúda, ganham um pouquinho de cada vez, e ainda se divertem. Os resultados do jogo não eram publicados na imprensa tradicional. Eram afixados em postes ou nas paredes de estabelecimentos comerciais como botecos, por exemplo. Era um charme e o índice de credibilidade é altíssimo até os dias de hoje. Ganhou, recebeu!
Alguém com saudades do tempo que burro, cobra, veado e vaca eram apenas personagens do jogo do bicho?
Essa relação romântica do jogo do bicho a que me refiro tem a ver apenas com o apontador da esquina e o seu Zé ou dona Maria que tem no seu pedaço de papel várias histórias para contar. O carnaval, o futebol, a polícia e a política, também têm suas histórias… ô, se tem!
O bicheiro x autoridades x Estado, bem, aí é outra história...
Alexandre Siqueira
Jornalista independente - Colunista Jornal da Cidade Online - Autor dos livros Perdeu, Mané! e Jornalismo: a um passo do abismo..., da série Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa! Visite:
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