
O silêncio nos céus expõe o colapso militar da Venezuela (veja o vídeo)
03/01/2026 às 15:35 Ler na área do assinante
A ofensiva militar conduzida pelos Estados Unidos contra a Venezuela revelou um dado tão impactante quanto simbólico: a completa ausência de reação da Força Aérea Venezuelana. Em um cenário de ataque externo, nenhum caça decolou, nenhum confronto aéreo foi registrado e os céus permaneceram em silêncio absoluto.
Esse vazio operacional não é casual. Há anos, a força aérea do regime de Nicolás Maduro enfrenta um processo acelerado de deterioração. Sanções internacionais, escassez de peças, falta de manutenção e perda de capacidade técnica transformaram grande parte da frota em ativos meramente decorativos. Na prática, possuir aviões no inventário não significa ter condições reais de combate ou resposta imediata.
Outro fator decisivo foi a superioridade aérea total dos Estados Unidos desde os primeiros minutos da operação. O padrão norte-americano em ações desse tipo é claro: neutralizar rapidamente radares, sistemas de comunicação, centros de comando e defesa antiaérea. Sem informação, sem coordenação e sem cadeia de comando funcional, qualquer tentativa de reação aérea se torna inviável — ou suicida.
Há ainda o componente político. A decisão de não reagir pode ter sido estratégica. Um enfrentamento direto no ar significaria escalar o conflito para um patamar devastador, com perdas irreversíveis de infraestrutura militar e civil. Em regimes fragilizados, a inação muitas vezes é escolhida como tentativa desesperada de contenção de danos, ainda que ao custo de expor publicamente a própria vulnerabilidade.
O silêncio da força aérea venezuelana não representa autocontrole ou prudência militar. Representa colapso. Expõe a assimetria absoluta de poder, a falência operacional das Forças Armadas do regime e a incapacidade de defender a soberania nacional em tempo real.
Em guerras modernas, as batalhas decisivas acontecem antes do primeiro disparo visível. Neste caso, os céus vazios da Venezuela falaram mais alto do que qualquer explosão em solo: o regime já havia perdido antes mesmo de tentar reagir.
Emílio Kerber Filho
Jornalista e escritor
Autor do livro “Por trás das grades - O diário de Anne Brasil”.












