
Depois de 104 anos, empresa dá adeus ao Brasil e se transfere para outro país
07/01/2026 às 14:50 Ler na área do assinante
Após mais de um século produzindo no Brasil, a Lupo — uma das marcas mais tradicionais do setor têxtil — decidiu transferir parte de sua operação para o Paraguai. A mudança ocorre depois da aprovação da Lei 14.789/2023, sancionada por Lula, que alterou o tratamento tributário sobre incentivos fiscais estaduais e aumentou o custo de operação das indústrias no país.
A lei acabou com a isenção de impostos federais sobre benefícios ligados ao ICMS. O governo apresentou a medida como forma de aumentar arrecadação — mas, na prática, atingiu diretamente a competitividade de empresas que produzem no Brasil.

Segundo a Lupo, o novo cenário tornou parte da operação economicamente inviável. Fundada há 104 anos, a empresa resistiu a crises históricas como a Grande Depressão, hiperinflação, mudanças monetárias e até a pandemia — mas agora passa a produzir fora do país.
Em junho, foi inaugurada uma nova unidade em Ciudad del Este (Paraguai), com investimento superior a R$ 30 milhões e capacidade para produzir até 20 milhões de pares de meias por ano. A fábrica já gera cerca de 110 empregos diretos.
A diferença de custo é decisiva: segundo a empresa, produzir no Paraguai é 28% mais barato que no Brasil, graças à carga tributária menor e a um ambiente regulatório menos burocrático.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Liliana Aufiero foi direta:
“Não é que a Lupo foi para o Paraguai, o Brasil empurrou a gente para o Paraguai.”
Para operar no país vizinho, a Lupo aderiu ao regime de maquila, que permite industrialização com matéria-prima importada e impostos reduzidos, com foco na exportação. Hoje, grande parte dessas indústrias se concentra em Alto Paraná — onde fica Ciudad del Este.
Além do custo mais baixo, a localização próxima ao Brasil reduz despesas logísticas. O próprio mercado brasileiro já é o principal destino dos produtos fabricados no Paraguai sob esse regime — incluindo itens da Lupo.
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