
Ditadura do Irã deve cair a qualquer momento e os impactos serão globais
07/01/2026 às 05:51 Ler na área do assinante
Desde a última semana de dezembro, os protestos populares contra a ditadura teocrática iraniana têm tomado as ruas das principais cidades em todo o país. Na cidade de Kouhdasht, o xerife local (uma espécie de delegado seccional) foi morto por populares sem que houvesse nenhuma represália por parte do regime – anteriormente uma simples ofensa a um membro do governo, por parte de um civil, poderia levar a prisão perpetua e até pena de morte. Outros membros das Forças de Segurança foram severamente agredidos no incidente.
Confrontos também foram relatados pela BBC-Persa, nas províncias do sul, Hamedan e Lorestan – lá a polícia local simplesmente abriu fogo contra a população desarmada, mostrando o completo desespero do que resta do regime iraniano, já que praticamente toda liderança militar foi eliminada pelos ataques israelenses em junho do ano passado. Na cidade de Fulad Shahr um quartel da temida Guarda Revolucionária, foi incendiada por populares. A cidade de Hamadon, próxima da capital Teerã, foi totalmente tomada pelos civis. As autoridades: prefeito, policiais, legisladores municipais simplesmente abandonaram a cidade. Em alguns vídeos é possível ver policiais (uma espécie de tropa de choque) assistindo a revolta inertes, desorientados, sem condições de reagir a fúria da população.
Segundo a TousiTV, maior canal de oposição iraniana no youtube, no município de Hamadã, no centro-oeste do país, a população descobriu uma prisão secreta para prisioneiros políticos. A turba invadiu, liberou os presos e ateou fogo nas instalações.
IMPLICAÇÕES NO MUNDO MUÇULMANO
O Irã não é apenas mais uma nação mulçumana, o Irã se tornou o epicentro do radicalismo muçulmano desde 1979 quando os Aitolás derrubaram o regime do Xá Reza Pahlavi. A ditadura teocrática iraniana, financia e orienta praticamente todos os grupos terroristas do mundo. Do Iêmen à Venezuela, da Nigéria à Austrália. E os iranianos não querem apenas derrubar o regime, eles querem o fim do monopólio islâmico no país, querem o retorno da cultura persa e fim da influência árabe. Desde o império Persa no século V a.c., a região tem tradição politeísta, ecumênica. O Irã também sempre foi um país cosmopolita, aberto à interação e respeito com outras culturas.
Com a queda do regime do Aitola Khamenei, grupos terroristas como Hamas, Boko-haram, Al-Qaeda, Hezbolah, Estado Islâmico, Houthis perderão seu principal financiador. Isso os deixará vulneráveis às forças de segurança dos respectivos países onde atuam. E agora notícia de arrepiar os cabelos, dezenas de líderes da ditadura iraniana já estão em fuga ou planejando sua escapada do país. Informações dos serviços de inteligência dizem que seus destinos preferenciais são: Emirados Árabes, Rússia e... Brasil. Só faltava essa.
Eduardo Negrão
Consultor político e autor de "Terrorismo Global" e "México pecado ao sul do Rio Grande" ambos pela Scortecci Editora.













