Com dezenas de mortes e milhares de prisões, protestos dominam o Irã, que está sem internet há mais de 72 horas
11/01/2026 às 10:56 Ler na área do assinanteO Irã completou 72 horas praticamente desconectado da internet neste domingo (11), segundo dados divulgados pela organização de monitoramento NetBlocks. A interrupção ocorre em um momento de intensificação dos protestos contra o regime, que se espalham por diversas regiões do país desde o início do mês.
De acordo com a NetBlocks, a telemetria indica que o bloqueio nacional permanece ativo, com o tráfego de internet reduzido a cerca de 1% do volume considerado normal desde o dia 8 de janeiro de 2026.
Moradores relatam impactos diretos no cotidiano. Um residente de Teerã confirmou à CNN que os serviços de telefonia celular também estão indisponíveis na capital iraniana, ampliando o isolamento da população em relação ao exterior. Ainda assim, segundo o diretor da NetBlocks, Alp Toker, alguns cidadãos conseguiram manter comunicação limitada por meio de terminais Starlink contrabandeados ou utilizando sinais de redes móveis de países vizinhos.
Para Toker, a medida segue um padrão já observado em outras crises internas.
“Os apagões nacionais costumam ser a estratégia preferida do regime quando há risco de uso de força letal contra manifestantes”, disse ele, explicando que o objetivo é dificultar a divulgação de informações e reduzir a atenção internacional sobre os acontecimentos no país.
Apesar disso, há relatos de que o bloqueio teve efeito contrário ao esperado. Um morador de Teerã, de 47 anos, que falou à CNN sob condição de anonimato, afirmou que a falta de internet acabou estimulando a mobilização nas ruas.
“O corte da internet parece ter saído pela culatra, já que o tédio e a frustração levaram ainda mais pessoas às ruas”, declarou.
As manifestações já duram cerca de duas semanas e começaram como reação ao aumento da inflação, mas rapidamente ganharam contornos políticos, com pedidos explícitos pelo fim do regime islâmico. Segundo a agência HRANA (Human Rights Activists News Agency), com sede nos Estados Unidos, ao menos 65 pessoas morreram e mais de 2.300 foram presas desde o início dos protestos.
Neste sábado (10), a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que a segurança do país é uma “linha vermelha” e prometeu proteger propriedades públicas, sinalizando endurecimento da repressão. A mídia estatal informou que um prédio municipal foi incendiado em Karaj, a oeste de Teerã, atribuindo o ato a “manifestantes violentos”. Também foram exibidas imagens dos funerais de integrantes das forças de segurança mortos em confrontos nas cidades de Shiraz, Qom e Hamedan.
No cenário internacional, as tensões aumentaram após novas declarações de autoridades americanas. Na sexta-feira (9), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um alerta aos líderes iranianos. Já neste sábado, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou:
“Os Estados Unidos apoiam o bravo povo do Irã”.
As autoridades iranianas, por sua vez, acusam os Estados Unidos e Israel de estimularem os “distúrbios”. Enquanto isso, organizações de direitos humanos continuam documentando dezenas de mortes de manifestantes, reforçando a preocupação internacional com a repressão e o prolongado apagão digital no país.
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da Redação