Preso político, policial morre na cadeia

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O Comitê de Familiares pela Liberdade dos Presos Políticos (CLIPP) denunciou a morte de Edison José Torres Fernández, policial de 52 anos, ocorrida enquanto estava sob custódia do Estado venezuelano. O falecimento aconteceu no sábado (10), conforme informação divulgada pelo comitê neste domingo (11). O policial havia sido detido por compartilhar mensagens críticas ao governo.

Torres Fernández trabalhava na Polícia do estado de Portuguesa, região localizada a cerca de 400 quilômetros de Caracas. O agente tinha mais de 20 anos de serviço na corporação, segundo dados do CLIPP.

"O Comitê de Familiares pela Liberdade dos Presos Políticos denuncia a morte sob custódia do Estado de Edison José Torres Fernández, de 52 anos, ocorrida em 10 de janeiro de 2026 (...) 62 horas após o anúncio oficial das libertações", declarou a organização em mensagem publicada na rede social X.

A detenção do policial ocorreu em dezembro do ano passado.

"Foi detido em 9 de dezembro de 2025 por compartilhar mensagens críticas contra o regime e o governador do estado", afirmou o comitê. De acordo com a organização, "foram imputados a ele crimes de traição à pátria e associação criminosa".

O CLIPP apontou a ausência de esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte.

"Até o momento, não há informações oficiais sobre as circunstâncias ou causas de sua morte, nem sobre o atendimento médico que teria recebido enquanto permanecia sob custódia. Essa falta de informação e de transparência torna o Estado responsável por sua vida e integridade", disse a organização.

O falecimento ocorre dias após o governo interino liderado por Delcy Rodríguez anunciar, na quinta-feira passada, a libertação de um "número importante" de detidos, incluindo estrangeiros. A medida foi apresentada como um gesto de "convivência pacífica".

Familiares de presos e organizações de direitos humanos indicam que aproximadamente vinte pessoas detidas por razões políticas foram libertadas desde o anúncio. A Casa Branca associa essas libertações à influência de Donald Trump na Venezuela, após operações militares que resultaram na captura do presidente Nicolás Maduro.

O partido de oposição Primeiro Justiça, que tem seu dirigente Juan Pablo Guanipa preso, manifestou-se sobre a morte de Torres Fernández. A agremiação exigiu a "liberdade imediata, plena e incondicional para TODOS os presos políticos, civis e militares" no país.

Organizações de direitos humanos registram que 18 presos políticos morreram sob custódia do Estado venezuelano desde 2014. A ONG Foro Penal contabiliza mais de 800 pessoas detidas por motivações políticas atualmente na Venezuela.

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da Redação