
Sob a condição de anonimato policiais federais rebatem Toffoli
14/01/2026 às 17:45 Ler na área do assinante
O medo do que o “sistema” é capaz impera em todos os setores da sociedade. Dessa forma, só sob a condição de anonimato que a imprensa conseguiu obter declarações contundentes de policiais federais contra a atitude do ministro Dias Toffoli. A PF de uma maneira geral está perplexa.
Investigadores contestaram as críticas do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre suposta demora na execução da segunda fase da Operação Compliance Zero. A operação, realizada nesta quarta-feira (14), prendeu Fabiano Zettel, cunhado do CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, e cumpriu mandados de busca contra o empresário Nelson Tanure.
"Pelo contrário, passamos meses esperando essa operação", disse um investigador diretamente envolvido no caso, que pediu anonimato. A operação investiga irregularidades na tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB.
Toffoli criticou o que chamou de "inércia" da PF. O ministro afirmou ter autorizado as diligências no dia 7 de janeiro, com prazo de 24 horas para cumprimento a partir do dia 12, devido "da gravidade dos fatos e necessidade de aprofundamento da investigação, com fartos indícios de práticas criminosas de todos os envolvidos".
Em sua decisão, o ministro do Supremo manifestou preocupação com possível comprometimento das provas:
"Causa espécie a esse relator não só o descumprimento do prazo por mim estabelecido para cumprimento das medidas cautelares ordenadas, posto que resta claro que outros envolvidos podem estar descaraterizando as provas essenciais ao deslinde da causa, como a falta de empenho no cumprimento da ordem judicial para a qual a Polícia Federal teve vários dias para planejamento e preparação, o que poderá resultar em prejuízo e ineficácia das providências ordenadas".
Fontes da PF explicaram que a operação não ocorreu antes porque faltavam informações sobre endereços dos alvos. O último endereço necessário foi obtido na noite de terça-feira (13), quando a corporação solicitou ao STF a prisão de Zettel e as buscas contra Tanure.
A solicitação da PF foi registrada no sistema do Supremo às 19h13 de terça-feira. A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se favoravelmente ao pedido às 20h49. Toffoli acatou o pedido, mas expressou insatisfação com o momento escolhido.
Na petição ao STF, a PF justificou a urgência argumentando que a viagem de Zettel para Dubai representava uma "oportunidade única" para a "obtenção de elementos que corroborem, ainda mais, sua participação" nos fatos investigados. Para Tanure, os investigadores justificaram a necessidade de realizar busca onde o empresário fosse encontrado.
A explicação baseou-se no horário de decolagem do voo às 7h30, o que permitiria que Tanure saísse de casa no Rio antes das 5h, horário mínimo permitido por lei para cumprimento de mandados judiciais.
Este não é o primeiro desentendimento entre a PF e o gabinete de Toffoli no Caso Master. No mês passado, o depoimento de Vorcaro no STF gerou tensão entre a equipe de delegados da PF liderada por Janaina Palazzo e procuradores presentes.
Na ocasião, Toffoli enviou aos investigadores 82 perguntas para Vorcaro. A delegada Palazzo inicialmente resistiu, afirmando que não poderia apresentar questões não preparadas por ela. Ela só aceitou submeter as perguntas após registrar em ata que as questões foram formuladas pelo gabinete do relator.
As perguntas do ministro estavam organizadas em seis blocos temáticos, abordando a negociação de venda do Master ao BRB e a reunião de Vorcaro com representantes do Banco Central em 17 de novembro, dia em que foi preso por determinação da Justiça Federal de Brasília.
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