
Um país sem soberania: Médicos brasileiros são impedidos de fazer vistoria em navio-hospital chinês
16/01/2026 às 15:22 Ler na área do assinante
O navio-hospital militar chinês Silk Road Ark, pertencente à Marinha do Exército de Libertação Popular da China, atracou no Pier Mauá, no Rio de Janeiro. A embarcação de 180 metros chegou ao Brasil supostamente para realizar atendimentos médicos, mas recusou inspeção do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (CREMERJ).
Médicos brasileiros denunciam que a embarcação impôs barreiras aos fiscais sanitários nacionais.
Francisco Cardoso, conselheiro federal pelo Estado de São Paulo, questionou a situação.
"O que um navio militar chinês está fazendo no Brasil? Por que tanto mistério? Por que a autoridade sanitária brasileira não pode simplesmente inspecionar um atendimento médico dentro do território nacional?", disse.
O caso ocorre após outro episódio envolvendo um navio de guerra iraniano que foi colocado sob sigilo pelas autoridades brasileiras.
O médico Raphael Campos esteve no local e documentou a presença de militares chineses no navio. Segundo seu relato, o acesso à embarcação é restrito e existem barreiras linguísticas.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) declarou não possuir competência para fiscalizar o navio, justificando que se trata de uma "operação militar". Este enquadramento como atividade militar levanta questionamentos sobre os protocolos sanitários que deveriam ser aplicados independentemente da origem da embarcação.
O Ministério da Defesa brasileiro não se manifestou oficialmente sobre a presença do navio chinês em águas territoriais. Também permanece sem esclarecimento qual seria o papel do ministro José Múcio diante da embarcação estrangeira operando em um porto brasileiro.
A presença do navio-hospital chinês no Brasil se insere em um contexto mais amplo da atuação internacional da China. O país asiático não está apenas "oferecendo saúde", mas expande sua presença global através da diplomacia médica. Pequim utiliza navios-hospitais como instrumentos para projetar sua influência, abrir novos mercados e testar cooperações em setores como vacinas, produtos farmacêuticos e biotecnologia.
A jornalista Karina Michelin, em texto publicado nas redes sociais, faz a seguinte colocação:
“Fica a questão central: que país soberano permite uma missão militar estrangeira atuar em seu território, prestar serviços à sua população e escapar de fiscalização sanitária e debate público? O silêncio das autoridades brasileiras é mais barulhento do que as sirenes desse navio.”
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