Deputados querem reabilitar Tuca, a dona da “chave do cofre” e alvo da PF
18/01/2026 às 08:27 Ler na área do assinanteA servidora da Câmara dos Deputados Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, foi afastada de suas funções por decisão do STF em dezembro de 2025, em meio a investigações da Polícia Federal sobre irregularidades na destinação de emendas parlamentares. Tuca administrava a distribuição de emendas de comissão e mantinha estreita relação com Arthur Lira e Hugo Motta, ex-presidente e atual presidente da Casa, sendo tratada como autoridade em ministérios.
A PF acusa a servidora de atuar "sem preocupação" ou "interesse republicano" no direcionamento das verbas parlamentares. Diversos deputados têm demonstrado solidariedade após seu afastamento, enquanto sua defesa argumenta que sua atuação era estritamente técnica.
Documentos analisados pela PF revelaram o que os investigadores chamaram de "conta de padaria", referindo-se a registros de destinações de recursos sem transparência adequada. Um investigador afirmou que Tuca, ao gerenciar repasses bilionários sem critérios técnicos claros, "fazia muita maluquice" e andava "mal acompanhada".
A sala de Tuca, localizada no segundo andar do Anexo 2 da Câmara, era frequentemente visitada por parlamentares interessados em formalizar pedidos de recursos. Ela auxiliava prefeituras, deputados e ministérios, tendo acesso a senhas em sistemas específicos para garantir que os recursos chegassem aos destinos acordados.
Um levantamento mostrou que Tuca esteve presente 23 vezes na sede da Presidência da República durante o atual governo. Sua influência era significativa a ponto de uma ligação telefônica dela poder interromper reuniões em andamento.
A servidora circulava por ministérios estratégicos como Cidades, Desenvolvimento Regional, Saúde, Turismo, Educação e Fazenda. Em 22 de março de 2023, José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara, a levou para uma reunião no Ministério da Fazenda. Em 5 de outubro do mesmo ano, às 16h52m, ela visitou o gabinete do então secretário-executivo Hildo Rocha no Ministério das Cidades.
Parlamentares que trabalharam com Tuca a descrevem como "incisiva" quando necessário e reconhecem sua capacidade de resolver problemas. Para a PF ela é suspeita de "direcionar" emendas sem critérios técnicos adequados.
A defesa de Mariângela contesta as acusações, afirmando que "Todas as informações apreendidas em seu local de trabalho são públicas e poderiam ser encontradas na Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República. A defesa ressalta que até hoje não teve acesso ao inquérito contra Mariângela Fialek e ressalta serem falsas quaisquer insinuações que lhe atribuam papel que não seja puramente técnico".
Entre os deputados, prevalece a percepção de que Tuca seria apenas uma "cumpridora de ordens" e que suas palavras eram recebidas "como se fossem as palavras de Arthur Lira". A operação que resultou em seu afastamento foi desencadeada após denúncias sobre a precariedade das destinações de recursos sob sua supervisão.
O PODER NOS BASTIDORES DA DISTRIBUIÇÃO DE EMENDAS
Parlamentares que conviveram com Tuca compartilham uma visão sobre sua competência gerencial na execução de emendas. Ela é descrita como uma profissional que soluciona problemas e age de forma "incisiva" quando necessário.
A investigação que levou ao seu afastamento começou após um deputado relatar irregularidades nas destinações de recursos. José Rocha (União Brasil-BA), que presidia uma comissão responsável por emendas repassadas pelo Ministério da Integração, revelou que Tuca enviou planilhas prontas para assinatura em nome da Presidência da Câmara. Esses documentos indicavam a destinação de R$ 1,125 bilhão sem especificar autores, objetos ou beneficiários.
Parlamentares e a própria servidora afirmam que ela sempre atuou como "cumpridora de ordens". Muitos congressistas interpretam a investigação sobre seu trabalho como um ataque à Câmara dos Deputados.
A Mesa Diretora da Câmara solicitou ao STF, em dezembro, a reintegração de Tuca ao cargo, em processo que corre sob sigilo. Membros da cúpula da Casa Legislativa argumentam que existe uma tentativa de criminalizar as emendas parlamentares.
Tuca trabalhou em quatro governos presidenciais. No início da gestão Lula, quando a equipe econômica reorganizava sua relação com o Congresso após o fim do orçamento secreto, sua palavra tinha peso considerável nos círculos de poder.
Embora oficialmente fosse assessora parlamentar, Tuca atuava como interlocutora direta de Arthur Lira. Em março de 2023, ela participou de uma reunião no Ministério da Fazenda com Gabriel Galípolo, então secretário-executivo da pasta; Laio Corrêa, chefe de gabinete do ministro; e Rogério Ceron, secretário do Tesouro Nacional. Técnicos presentes relataram que suas palavras eram recebidas "como se fossem as palavras de Arthur Lira".
A reunião consta nas agendas oficiais das autoridades, sem detalhamento do motivo. Um participante minimiza a participação dela, afirmando que o tema principal foi a discussão de uma medida provisória. Questionado se Lira havia solicitado que levasse Tuca à Fazenda, Guimarães declarou: "Não sei te responder! Se teve a reunião, tudo teria sido feito em função da tramitação das emendas. Nem lembro disso. Lira não me pediu isso, não".
A ATUAÇÃO DE TUCA NOS MINISTÉRIOS
A influência de Mariângela Fialek se estendia a diversos ministérios. Em outubro de 2023, ela esteve no Ministério das Cidades, dirigindo-se ao gabinete de Hildo Rocha (MDB-MA). Na ocasião, levava uma cobrança específica sobre emendas de comissão listadas por Arthur Lira que ainda não haviam sido empenhadas.
Técnicos do ministério confirmaram que os recursos seriam pagos, o que ocorreu posteriormente. Na lista de prioridades constavam emendas indicadas por Rogério Marinho (PL-RN), Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Júnior Mano (então PL-CE) — sendo os dois últimos réu e investigado, respectivamente, por suspeita de desvio de recursos públicos.
Essas negociações aconteciam quando o governo federal utilizava a retenção de recursos como instrumento de negociação política com o Congresso Nacional. Fontes que trabalharam com a assessora destacam seu perfil metódico e sua extensa rede de contatos.
Uma pessoa que conviveu com Tuca ressaltou sua capacidade organizacional, mencionando as planilhas detalhadas que ela elaborava. Outro colega afirmou que a assessora dominava "na ponta da língua" os assuntos pendentes que precisavam de resolução.
Por meio de nota, a defesa da assessora afirmou que sua função "era e é puramente técnica e consiste na mera organização da peça orçamentária, que observa parâmetros idênticos na Câmara e no Senado, contando ainda com a anuência do Executivo".
A defesa também argumentou que todos os documentos apreendidos durante a operação da PF são de natureza pública. "Todas as informações apreendidas em seu local de trabalho são públicas e poderiam ser encontradas na Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República. A defesa ressalta que até hoje não teve acesso ao inquérito contra Mariângela Fialek e ressalta serem falsas quaisquer insinuações que lhe atribuam papel que não seja puramente técnico", afirma o comunicado.
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da Redação