O “BC de Lula” e a estranha aprovação da operação para o ex-sócio de Vorcaro assumir o controle de outro banco

18/01/2026 às 12:58 Ler na área do assinante

O Banco Central aprovou a transferência do controle do Banco Voiter para o empresário Augusto Ferreira Lima. Isso ocorreu em julho de 2025, mesmo após a identificação de irregularidades envolvendo o Banco Master.

A aprovação da transação aconteceu meses antes da liquidação extrajudicial do Banco Master, determinada em novembro de 2025. O Banco Voiter, que passou a se chamar Banco Pleno após a aquisição, fazia parte do conglomerado prudencial do Master, mas não foi incluído no processo de liquidação.

O BC comunicou ao TCU que havia identificado a cessão de créditos inexistentes ao BRB, adquiridos pelo Master de uma empresa terceira. A situação apresentava indícios de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, fatos que foram informados ao Ministério Público Federal em julho de 2025.

A autorização para transferência do controle do Voiter para Augusto Lima foi concedida em 24 de julho de 2025, no mesmo período em que o BC comunicou as irregularidades ao MPF. O Master tentou obter recursos por meio da venda de ativos pessoais entre abril e novembro daquele ano, devido à incapacidade de cumprir recolhimentos compulsórios.

A autoridade monetária permitiu a transferência de ativos dentro do conglomerado como forma de dar sustentação financeira ao Master. Esta movimentação resultou na preservação do Banco Pleno, que não sofreu intervenção, enquanto parte dos recursos e operações foi direcionada para a nova estrutura sob controle de Augusto Lima.

Lima foi preso em novembro de 2025 durante a Operação Compliance Zero, realizada pela Polícia Federal, que também deteve Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A investigação analisa a venda de carteiras de crédito no valor de R$ 11,5 bilhões, consideradas fraudulentas pelas autoridades.

A Polícia Federal apreendeu R$ 1,6 milhão em dinheiro e diversos bens de alto valor na residência de Augusto Lima. O empresário foi posteriormente liberado, e as investigações prosseguem até o momento.

Augusto Ferreira Lima desenvolveu sua carreira no setor de crédito consignado e se destacou ao se tornar sócio e CEO do Banco Master. Natural da Bahia, ele começou suas atividades no mercado financeiro em 2018, após a privatização da Empresa Baiana de Alimentos durante o governo estadual de Rui Costa, atual ministro da Casa Civil.

A partir da estrutura da antiga Ebal, o empresário criou o Credcesta, um produto de crédito consignado para servidores públicos, estabelecendo convênios com o governo baiano. Este modelo cresceu e foi incorporado ao Banco Master quando Lima se associou a Vorcaro em 2019.

Lima deixou o Master em maio de 2024. Em junho de 2025, adquiriu o Banco Voiter com autorização do BC, mudando seu nome para Banco Pleno. O empresário investiu R$ 160 milhões e concentrou as operações de crédito consignado na nova instituição, incluindo o Credcesta.

O Banco Pleno continua em funcionamento, apesar da prisão de Lima e das investigações em andamento. A separação societária feita antes da liquidação do Master e a autorização formal do Banco Central explicam por que a instituição não foi afetada pelas medidas aplicadas ao conglomerado de Daniel Vorcaro.

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