
Esposa de Moraes sofre inesperada derrota na Justiça
19/01/2026 às 09:27 Ler na área do assinante
O Banco Master e seu CEO, Daniel Vorcaro, sofreram uma derrota definitiva no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) em uma disputa judicial movida contra Vladimir Joelsas Timerman, fundador da Esh Capital. A ação, protocolada em outubro de 2024, terminou desfavorável à instituição financeira e ao executivo e marcou o único processo conhecido em que ambos foram representados pelo escritório de Viviane Barci de Moraes — esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) — em conjunto com seus filhos, Alexandre e Giuliana Barci de Moraes.
O embate judicial teve como pano de fundo conflitos societários envolvendo a Gafisa, empresa da qual Timerman é acionista. No período, o gestor apresentou denúncias à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o que deu origem a investigações sobre supostas operações fraudulentas relacionadas a fundos associados ao empresário Nelson Tanure e ao Banco Master.
De acordo com Timerman, as manobras teriam como finalidade ampliar o controle de Tanure sobre a construtora, ocultando conflitos de interesse e interferindo de forma irregular no funcionamento do mercado de capitais. As acusações sustentaram tanto procedimentos administrativos quanto apurações criminais.
Decisão judicial e impactos para o Master
Após sucessivas derrotas em todas as fases do processo, o Banco Master e Vorcaro foram condenados ao pagamento de R$ 5,5 mil em honorários advocatícios à defesa de Timerman. Em outubro de 2025, a 2ª Câmara de Direito Criminal do TJ-SP rejeitou o recurso apresentado pela instituição financeira, acompanhando parecer da Procuradoria-Geral de Justiça que apontou ausência de “provas suficientes de dolo específico de ofender”. O caso foi encerrado de forma definitiva em dezembro, após o julgamento dos embargos.
Em paralelo, Timerman levou o episódio ao Ministério Público de São Paulo por meio de uma notícia-crime contra Vorcaro. Na representação, ele sustenta que o CEO do Banco Master teria cometido denunciação caluniosa, mesmo tendo conhecimento prévio das irregularidades envolvendo a Gafisa.
O gestor também enfatizou que investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, além de manifestações da própria Procuradoria-Geral de Justiça, corroboram a consistência de suas denúncias relacionadas à Gafisa, ao Banco Master e a Nelson Tanure.
Escolha do escritório e questionamentos
Na peça encaminhada ao Ministério Público, Timerman chamou atenção para a contratação do escritório comandado por Viviane Barci de Moraes. Segundo ele, a opção pelo escritório “da esposa de um ministro do STF”, entre “dezenas de escritórios que defendem a instituição”, teria um “evidente propósito intimidatório”, conforme registrado na notícia-crime.
Documentos apreendidos durante a primeira fase da Operação Compliance Zero indicam que o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório previa honorários que poderiam chegar a R$ 130 milhões. O acordo, contudo, não foi integralmente cumprido em razão da liquidação do banco determinada pelo Banco Central, em novembro do ano passado.
Mensagens obtidas no curso das investigações mostram que Vorcaro considerava prioritário o pagamento ao escritório de Viviane Barci de Moraes, mesmo diante da deterioração financeira do Banco Master. A notícia-crime apresentada por Timerman pede que o Ministério Público paulista apure os fatos e, caso identifique ilícitos, ofereça denúncia contra o executivo.
O fundador da Esh Capital também relembrou que uma representação apresentada ao Ministério Público Federal em 2023, envolvendo supostas fraudes ligadas a Tanure e ao Banco Master no contexto da Gafisa, resultou na abertura de inquérito e, em dezembro passado, na denúncia por insider trading contra o empresário. Para Timerman, esse desdobramento reforça a credibilidade de suas acusações.
Por fim, ele citou parecer da Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo emitido em processo movido por Nelson Tanure, no qual o órgão considerou procedentes as denúncias relacionadas ao empresário, à Gafisa e ao Banco Master, acrescentando mais um elemento ao conjunto de questionamentos que cercam o caso.
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