
Irmãos Batista avançam sedentos sobre petróleo da Venezuela após queda de Maduro
22/01/2026 às 16:42 Ler na área do assinante
Com a saída de Nicolás Maduro do poder, grandes grupos empresariais passaram a observar de perto as oportunidades abertas na Venezuela — entre eles, o conglomerado controlado pelos irmãos Joesley Batista e Wesley Batista. O foco principal está no setor energético, impulsionado por reservas estimadas em cerca de 1 bilhão de barris de petróleo e pela expectativa de reorganização política e econômica do país.
Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, os Batistas mantêm ligação indireta com o projeto Petrolera Roraima, por meio de um parceiro comercial. A participação envolve campos petrolíferos que anteriormente pertenciam à ConocoPhillips. A Fluxus, empresa de petróleo da família, avalia a entrada direta nesses ou em outros projetos, condicionando qualquer movimento à consolidação de um ambiente institucional mais previsível.
Cautela pública, interesse privado
Em nota, a holding J&F SA afirmou não possuir ativos na Venezuela, mas deixou claro que acompanha atentamente o cenário. “Uma vez estabelecido um quadro de estabilidade institucional e segurança jurídica, estaremos prontos para avaliar investimentos”, declarou o grupo.
Desde a imposição de sanções pelos Estados Unidos, os Batistas adotaram postura pública de cautela. A prudência também se explica pelo fato de o grupo controlar a Pilgrim’s Pride, uma das maiores processadoras de frango dos EUA. O presidente norte-americano Donald Trump já acusou o antigo regime venezuelano de confiscar riquezas de empresas americanas, sem sinalizar qualquer reversão das nacionalizações feitas no passado.
Enquanto empresas dos EUA e da Europa aguardam garantias mais sólidas para operar, grupos com trânsito político e histórico de atuação na região tentam se posicionar com antecedência. Nesse contexto, Joesley Batista esteve recentemente em Caracas para dialogar com a presidente interina Delcy Rodríguez, ampliando sua influência no período de transição.
Relações políticas e histórico controverso
A trajetória dos Batistas na Venezuela não é recente. Desde os anos 2000, o grupo mantém relações com o governo local. Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu quando assinaram um contrato de US$ 2,1 bilhões para fornecimento de carne e frango em meio à crise alimentar venezuelana. O acordo teve intermediação de Diosdado Cabello, figura central do regime.
Em 2024, o Ministério do Petróleo concedeu à A&B Investments — comandada por Jorge Silva Cardona, aliado comercial dos Batistas — direitos de exploração por 25 anos no projeto Petrolera Roraima, anteriormente operado pela ConocoPhillips.
A PDVSA mantém 51% da participação no empreendimento, enquanto a A&B controla os outros 49%. Após a entrada do novo operador, a produção diária chegou a 32 mil barris entre junho e outubro, mas caiu com o endurecimento das restrições impostas pelos Estados Unidos às exportações venezuelanas.
Olho no pós-Maduro
Além do petróleo, o grupo também analisa oportunidades nos setores de mineração e infraestrutura elétrica. A estratégia é clara: ocupar espaço rapidamente no cenário pós-Maduro, antes que grandes concorrentes internacionais retornem ao país.
A movimentação reforça um padrão conhecido: empresários experientes em navegar ambientes politicamente instáveis buscando vantagens estratégicas em momentos de fragilidade institucional — agora, apostando que a Venezuela entrará em uma nova fase, ainda cercada de incertezas.
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