“Groenlândia” expõe duas questões equivocadas amplamente difundidas pelas elites europeias

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A questão da Groenlândia expôs duas concepções fundamentalmente equivocadas amplamente difundidas pelas elites europeias. A primeira delas é a de uma ordem mundial baseada em regras. Errado. Essas regras sempre foram apenas miragem. O que tem mantido a Europa protegida é o poderio e o dinheiro americano.

A segunda é que são os Estados Unidos que causam "turbulência" e ameaçam a estabilidade mundial. Errado também. Os Estados Unidos estão presos na armadilha de Tucídides. É a China que ameaça o mundo. Os EUA estão apenas reagindo.

Quem afirmou isso, com outras palavras, e achei interessante, foi Winston Marshall, um músico britânico, que ficou famoso tocando banjo e sendo o guitarrista principal da banda de folk rock Mumford & Sons, que ganhou vários Grammys e vendeu milhões de álbuns. Em 2021, Winston saiu da banda após ter sido cancelado pela esquerda por ter elogiado no Twitter, hoje X, o livro de Andy Ngo sobre a Antifa.  Escolheu expressar livremente suas opiniões e hoje apresenta o podcast The Winston Marshall Show, escreve e participa de eventos e conversas sobre cultura, política e liberdade de expressão (geralmente em espaços conservadores, os dissidentes atuais). Ele continua fazendo música de forma independente.

Quanto ao significado da expressão "Armadilha de Tucídides (ou Thucydides Trap, em inglês), trata-se de um conceito a respeito de relações internacionais criado pelo cientista político americano Graham T. Allison, (professor de Harvard). Ele considera  que a Armadilha de Tucídides, ameaça feita por uma potência emergente, em ascensão rápida, de superar uma potência dominante no sistema internacional, é uma situação de alta probabilidade de guerra.

A origem da expressão vem do historiador grego antigo Tucídides (século V a.C.), que escreveu no livro "História da Guerra do Peloponeso" (431–404 a.C.), que o medo causado em Esparta, potência dominante na época, pelo crescimento do poder em ascensão de Atenas, tornou a guerra inevitável.

Allison analisou dezesseis casos históricos nos últimos 500 anos em que uma potência em ascensão desafiou uma potência dominante. Em doze casos  houve guerra.

O conceito é muito usado hoje em dia para descrever a relação entre os Estados Unidos, a potência dominante atual, e a China, potência em rápida ascensão. Allison argumenta que os dois países estão em uma trajetória de colisão estrutural, e que uma guerra não é inevitável, mas é estatisticamente muito provável se nada mudar — a menos que haja um esforço diplomático extraordinário. O que não deixa de ser uma visão simplista, que não leva em consideração o fato de a China ser uma ditadura comunista que oprime o próprio povo.

Enquanto a civilização ocidental defende a democracia liberal, direitos humanos, Estado de Direito, livre mercado e liberdades individuais, o Partido Comunista Chinês é hostil a esses ideais, e promove o autoritarismo em outros países.

Não ajuda o fato de, entre outras coisas, o governo chinês conduzir operações de espionagem e ciberataques para roubar tecnologia, dados e segredos comerciais ocidentais, usando táticas como infiltração em redes críticas, roubo de propriedade intelectual e influência em universidades e empresas. A isso acrescentamos violações sistemáticas de direitos humanos, como censura, vigilância em massa e repressão a minorias, com intimidação de dissidentes no exterior e restrições religiosas.

A China, obviamente, rejeita essas narrativas, classificando-as de propaganda anti-chinesa, e enfatiza seu foco em desenvolvimento pacífico.

Foto de Lucia Sweet

Lucia Sweet

Jornalista