A "visita" do navio chinês, além da humilhação, um recado para o Brasil
23/01/2026 às 09:39 Ler na área do assinanteO navio-hospital Ark Silk Road, da Marinha chinesa, permaneceu no Porto do Rio de Janeiro entre 6 e 13 de janeiro de 2026, revelando vulnerabilidades nos protocolos diplomáticos e de defesa do Brasil. A embarcação, que integra a Harmony Mission 2025, chegou ao país após um processo de autorização que gerou questionamentos sobre a natureza da operação e a aplicação das leis brasileiras.
A Embaixada da China comunicou a visita por meio de documento breve.
"A Embaixada da República Popular da China_[…] _tem a honra de informar o seguinte: O Navio Hospital "ARK SILK ROAD" da Marinha Chinesa tem previsto realizar uma Visita Oficial ao Porto do Rio de Janeiro, de 6 a 13 de janeiro de 2026", informava o texto oficial.
O documento chinês, que não ultrapassava uma página, não especificava claramente o propósito da missão, classificando-a apenas como "visita", numa abordagem que se assemelha a um "'Por que?/Porque sim". Somente depois, com o navio já em águas brasileiras e a "permissão" concedida, as autoridades chinesas revelaram o caráter de "ajuda humanitária" da missão.
Em novembro do ano passado, uma reportagem do site Poder360 já havia identificado desconforto entre diplomatas e militares brasileiros com a anunciada visita.
"Há um certo mal-estar", indicou uma fonte na ocasião, "porque o pedido não explicita que se trata da Harmony Mission. Isso gerou dúvidas sobre o objetivo real da visita".
A Harmony Mission 2025 é a primeira iniciativa desse tipo realizada pela China fora de sua área regional, "com duração prevista de 220 dias e visitas a 12 países". A posterior descrição do navio como um "navio da esperança e enviado da paz" não eliminou as preocupações sobre os objetivos estratégicos da missão no Brasil.
O cientista político Maurício Santoro, colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha do Brasil, considera o episódio problemático.
"Para o cientista político Maurício Santoro, colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha do Brasil, o episódio é 'constrangedor'. 'O Brasil não precisa desse tipo de cooperação. O uso de navios hospitalares em visitas de boa-vontade é adequado a países muito pobres ou que sofreram desastres naturais, o que não é o caso brasileiro'", afirma o especialista.
A situação evidenciou falhas na aplicação das normas brasileiras quando a China informou, apenas após obter permissão para atracar, que o navio-hospital ofereceria serviços de saúde gratuitos à população. Veículos de comunicação internacionais especializados em assuntos militares documentaram amplamente o caso, que recebeu pouca atenção da mídia nacional.
Rafael Almeida, coronel da reserva e analista de defesa com mestrado pela Universidade de Defesa Nacional da China, apontou características técnicas relevantes da embarcação. Ele sugeriu que as capacidades do Ark Silk Road vão muito além de funções médicas", com um número "incomumente alto de sensores, antenas e sistemas de radar".
De acordo com o coronel Almeida, esta foi a primeira vez que um navio militar chinês conduziu tal exercício sem um acordo formal de defesa entre os países. Normalmente, trocas de informações sobre condições marítimas e infraestrutura portuária ocorrem dentro de acordos bilaterais estabelecidos.
Um outro fato significativo foi revelado: o pedido de "visita" do navio chinês foi realizado aproximadamente um mês antes de os Estados Unidos solicitarem permissão similar. O navio oceanográfico americano Ronald H. Brown ancorou em Suape, Pernambuco, para uma "missão científica" quase simultaneamente à partida do navio chinês do Rio.
As visitas coincidentes das duas potências globais acontecem em um período de realinhamento geopolítico mundial. O navio americano chegou a Pernambuco enquanto o chinês deixava o Rio, ambos com estadias programadas de sete dias em território brasileiro.
O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro enviou notificação formal ao governo estadual para verificar se o navio chinês estava efetivamente prestando serviços de saúde à população, já que toda atividade médica em território nacional deve ser monitorada pelas autoridades competentes, conforme a legislação brasileira.
Ao final da visita ao Porto do Rio, representantes do governo chinês divulgaram comunicado oficial:
"Durante a visita, o Silk Road Ark serviu como ponte para trocas médicas e injetou um novo ímpeto nas trocas e cooperação entre as marinhas da China e do Brasil".
Especialistas também mencionam a realização da Olimpíada Militar de 2019 em Wuhan, China. O evento reuniu militares de diversas forças armadas mundiais e foi considerado o maior do gênero até aquela data, com limitada cobertura midiática internacional no período anterior à pandemia.
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da Redação