“FAROLAÇO”, a forma encontrada para quem não poderá estar em Brasília no próximo domingo

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A proposta é manter os faróis dos veículos acesos durante o dia em todo o país, até que a Anistia de presos políticos do 8 de janeiro seja aprovada e eles sejam libertados.

De forma espontânea, manifestantes de direita, que não puderam acompanhar pessoalmente a Caminhada pela Liberdade e Justiça, que começou na última segunda-feira (19) em Paracatu-MG, sob liderança do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), com destino a Brasília, iniciaram um manifesto criativo e que parece ganhar força: Trata-se de um FAROLAÇO.

A proposta é manter os faróis dos veículos acesos durante o dia em todo o país, até que a Anistia de presos políticos do 8 de janeiro seja aprovada e eles sejam libertados. As maiores manifestações da história do Brasil não surgiram do nada — quase sempre foram o resultado de crises acumuladas, momentos de virada política ou de explosão de insatisfação popular.

Se comparado o momento político que atravessa o país, com outros recentes, não é absurdo deduzir que vivemos na iminência de uma explosão popular. Escândalos sucessivos, arbitrariedade do judiciário, sobretudo do Supremo Tribunal Federal que se mete em tudo, e já não respeita mais a Constituição.

A gota d’água foi o escândalo do Banco Master e a tentativa de um ministro do STF de blindar as investigações. O país ainda se recuperava dos roubos aos aposentados do INSS, e mais um escândalo ganha os noticiários, não permitindo que nem a imprensa chapa branca, faça ouvidos moucos e passe pano, como sempre tem feito nos assuntos que envolvem o STF e o governo alçado de Lula da Silva.

Não é por acaso também que os acontecimentos no Irã e no Tibete saíram da pauta da velha mídia. A ordem é evitar que haja estímulos, tendo em vista que motivos não faltam para que o povo tome as ruas e faça valer a sua soberania sobre os destinos do país.

Essa mesma imprensa segue em silencio sobre a “caminhada” de 200 km até Brasília que ganha adeptos e é liderada por Nikolas Ferreira, cujo as redes sociais, somam mais de 18 milhões de seguidores. O consórcio finge não ver que a manifestação pacífica iniciada por Nikolas tem potencial de se transformar num novo 8 de janeiro, desta vez, com muito mais participantes e consequências imprevisíveis, motivos não faltam.

Não custa lembrar que por muito menos, milhões de pessoas foram às ruas em junho de 2013, graças a uma insatisfação geral, a princípio protestando por transporte ruim, corrupção, serviços públicos precários, escândalos, sentimento de injustiça e revolta com os políticos. Havia uma sensação de que o país crescia, mas a vida real não melhorava. O mesmo ocorre hoje, em grau muito mais elevado.

O estopim dos protestos que pararam o país se deu pelo aumento de R$ 0,20 na passagem de ônibus em São Paulo. O movimento começou pequeno e explodiu nacionalmente. As redes sociais tiveram papel central. Apesar do Deputado Nikolas estar à frente da Caminhada pela Liberdade e pela Justiça, o FAROLAÇO não tem uma liderança, surgiu espontaneamente.

O resultado dos protestos que foram abafados graças aos black blocs, movimento plantado pela esquerda na ocasião, similar ao que ocorreu em 8 de janeiro, acabou mudando o cenário político, abrindo espaço para polarização nos anos seguintes, culminando com o impeachment de Dilma (2015–2016)

O que tem em comum hoje e ontem: Crise econômica severa, instabilidade, e escândalos que não param. Antes foi a Lava-jato, enterrada pelos mesmos atores que tentam blindar Correios, Banco Master e roubos do INSS, fraude em pesquisas eleitorais, desconfiança nas instituições, sobretudo no STF, PGR, IBGE, Partidos Políticos, Polícia Federal, além da parcialidade escancarada de parcela expressiva da imprensa que não esconde suas preferências partidárias, deixando de lado o jornalismo e o pacto tácito de confiança que conquistou ao longo do tempo.

A julgar pelas motivações, o FAROLAÇO pode mobilizar o país e as consequências são imprevisíveis.

José Aparecido Ribeiro. Jornalista.

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