Tirando as Rodinhas - a bicicleta como veículo do amor

O presente certo, na hora certa

Dando sequência à série que enfoca a bicicleta como opção de esporte e lazer, trabalho, hobby e meio de transporte, trago a público o trabalho de um indivíduo que se dedica à realização, quotidiana e permanente, daquilo que chama de sua “tarefa”.

Trabalho que traz caracteres da nobreza e do amor ao próximo e à Terra, à humanidade nesta casa que ora nos acolhe, serve e guarda.

A apresento-vos um gigante modesto, o homem que, em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, ensina às crianças o uso correto e seguro da bicicleta:

Fagne Almeida Santos - Professor das coisas do pedal e atleta do ciclismo
  Natural de Nossa Senhora das Dores, no Sergipe, Fagne Almeida Santos, 30 anos vividos reta e saudavelmente, atleta competidor no ciclismo, profissional de vendas e manutenção de bicicletas naquele que é o mais tradicional balcão de peças, equipamentos e acessórios do ramo, a Gilmar Bicicletas – que pelo vulto e relevância dos serviços prestados no setor e no esporte, será tratada em artigo vindouro.

Foi numa conversa despretensiosa, na loja em que trabalha, que Fagne contou da sua atividade de formação de ciclistas conscientes. “Estou ensinando as crianças, Dão, andarem de bike, com a devida segurança e passando-lhes os princípios básicos...”

Particularmente, tenho nos Professores inatos, casta da mais alta nobreza humana. Por décadas foi a única autoridade reconhecida por este que vos escreve...

Há, nos Professores vocacionados, um conjunto de pré-requisitos que lhes conferem o caráter nobre, por motivos óbvios. Ensinar é transferir o tesouro encerrado em si, para os que estão abertos e dispostos a recebe-lo.

Fui até “o redondo” no Parque das Nações Indígenas, para conferir pessoalmente uma aula, e foi uma das manhãs mais luminosas dos últimos tempos, que têm sido, cheios de luz e bênçãos.

Solange, Adriano, Sérgio, Rafaela e Talita
  Conheci alguns familiares de alunos de Fagner, e anotei algumas de suas impressões acerca do serviço prestado por Fagne.

 A Ursina Adames de Souza Dias (mãe de Rafaela), perguntei qual sua opinião acerca das aulas de bicicleta ministradas por Fagne e se Rafaela já sabia andar de bike quando começou as aulas:  

“Estamos encantados. Tanto eu quanto meu esposo. Essa é a segunda aula dela, na primeira ela já estava andando! Não sabia. Tentamos ensinar, mas com o pai e comigo ela não queria mais tentar nem usando as rodinhas. Ela caiu usando as rodinhas.... Então hoje, ela se soltou. Se ela não estivesse com medo, já na primeira aula estaria bem. Seu maior obstáculo foi o medo, com ele – Fagne - faz toda a diferença.”

Adriano Adames de Souza (pai de Luíza e avô de Talita) deu um depoimento forte, emocionado e cheio de esperança e verdade ao ver solicitadas opinião e avaliação do serviço que contratou:

“É uma coisa diferente.

No dia das crianças eu queria das uma bicicleta para Talita, Luíza já tinha. Fui à loja e Fane, durante o atendimento, me falou ‘Eu dou aula de bike’, eu quis ver como era esse negócio, pensei: ‘Vai que esse negócio dá certo, né?’

Aí eu peguei a Luíza e levei para o Fagne conhecer  e erguntei a ele: ‘Será que você dá conta de ensinar ela a andar de bicicleta? ’.

Para mim, ela andar de bicicleta, assim como está andando hoje, é fundamental. Para mim é mais que fisioterapia, porque treina equilíbrio, treina tudo, vai ser bom para ela para o resto da vida, sabe?

Talita
Talita, já na segunda aula já não precisava mais das aulas, o professor a liberou, sabe? Com duas aulas... 

Luíza, por ser mais nova, pelas limitações dela, que a gente entende, né? Os progressos que ela vem fazendo aqui, com o professor, jamais seriam alcançados em tão pouco tempo, por exemplo, com agente mesmo, o pais, tentando ensinar.

É outra coisa!”

Jamais eu conseguiria...”, ao lado da gente, Ursina, mãe de Rafaela, emocionada, exclama:  

Rafaela
"Gente, ela tinha muito medo! Olhem só, ela está andando! Uhu! ”, ao ver Rafaela andando um pequeno trecho sem que o professor lhe segurasse, embora a garantisse a segurança e mantivesse o apoio à aluna, correndo ao seu lado. Naquele momento, Rafaela andara pela primeira vez sem o recurso das rodinhas ou alguém lhe segurando. Diante da cena, Adriano, arremata

“Está vendo? Uma emoção como essa, não tem explicação...”.   

A opinião das crianças, entrevistadas “no atacado”, beirou a unanimidade no quesito “estou adorando”, quebrada por um “estou amaaando! ”.

Luíza foi quem quebrou minhas pernas, e me fez segurar a onda da emoção, diante do que me disse a pequenina sobre o que vinha aprendendo:  “Eu to aprendendo que posso andar de bicicleta. Que devo tentar, tentar e tentar quantas vezes for preciso, cair e levantar, até conseguir, sem nunca desistir!”

J.H.Miranda-Sá e Luíza
Momento em que um novo sol nasceu diante de mim, na forma de um sorriso lindo, e um abraço de urso amoroso, que jamais esquecerei. Obrigado, Papai do Céu, por me conceder manhã tão linda e forte. 

A atuação de Fagne e a vibe das crianças durante as aulas é impregnada de sabedoria e confiança, superação e progresso. E não é exagero meu, pra variar.

Solange e Luíza
Enquanto eu colhia umas fotos, ouvi a comemoração e choro de uma mãe vendo a filha expandir limites de outrora, empurrando com passos firmes e seguros, o horizonte mais para trás, tanto mais passos dava a diante...  

Professor Fagne e Marcelo, um de seus alunos
  Termina uma aula, inicia outra, e a disposição do professor é equivalente a dos alunos, que não se cansa, não se abala e faz seu trabalho com a doçura de um sábio avô, de um tio carinhoso, voz baixa e mansa, com deve ser.

Pensando no esporte, enquanto exercício de expansão dos próprios limites, via autossuperação, veículo que conduz o indivíduo atento à sabedoria e ao autoconhecimento, ao exercício da parceria e da fraternidade, Fagne nos conta o que vem aprendendo na pratica do ciclismo competitivo:

" A preparação mental antes das corridas; controle durante e que se aplicarmos a quantidade de força certa pela quantidade de tempo certo; que é possível conquistar a vitória, então descobri que competir vai além de força: é um conjunto de comportamentos, que mesmo que não alcance o pódio, você tem a certeza de que fez a coisa certa e que nem sempre ser campeão é chegar em 1° lugar, mas sim, chegar e dentro de um limite que não tenha se esforçado de menos para não se arrepender de não ter tentado, e nem se esforçar demais a ponto de se machucar, como se fosse a última corrida da vida.”

Diante de tanta generosidade, esgotado meu relato, transbordando de gratidão a Deus por me permitir esse trabalho, de utilidade pública, passo a palavra ao Professor Fagne, para que ‘pingue’ ele mesmo o ponto final neste artigo, o que é justo.

É contigo, Fagne!

“Conselho para os iniciantes nessa vida que nem eu.

Ela é curta, passa rápido e quando abrirmos os olhos, vamos perceber qual a diferença entre o fato viver reclamando e viver fazendo.

Quando reclamamos, perdemos a chance de fazer então se reclamamos agora porque é difícil, vamos reclamar no final porque não fizemos.

Quando fazemos, não temos tempo de reclamar porque estamos ocupados, e amanhã podemos reviver tudo que passamos ao lembrar o quanto foi difícil, mas não deixamos o desânimo tomar conta.

A vida é uma só, não vamos desperdiça-la reclamando, vamos viver e fazer toda a tarefa que Deus coloca nas nossas mãos.

No final, vai ser mais gratificante. ”

Aos interessados em contratar aulas para as suas crianças, comprar bicicletas, equipamentos de segurança e acessórios, assessoria sobre assuntos de bicicleta, o telefone de Fagne é 67 9103-3075.

João Henrique de Miranda Sá é jornalista campo-grandense e tem a bicicleta como opção de vida, veículo principal e relação de amor e gratidão.

Luíza e Professor Fagne
Rafaela familiarizando-se com as ferramentas

João Henrique de Miranda Sá

Jornalista independente em Campo Grande - MS.

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