Entre Manés e Forrest Gump: o Brasil insiste em sobreviver
24/01/2026 às 17:57 Ler na área do assinanteA vida biológica é gratuita; o sentido, não. O homem é o único ser que sofre por falta de sentido e, talvez por isso, tenha trocado o viver pela simples sobrevivência. Sobrevivemos a um mundo polarizado, injusto e institucionalmente falho, enquanto o viver — com propósito e pertencimento — parece cada vez mais distante.
O instinto gregário não é ideológico, é biológico. Ainda assim, o mundo globalizado prometeu liberdade e entregou isolamento. A felicidade individual depende do pertencimento coletivo, hoje fragmentado e desacreditado.
As grandes revoluções não nascem de planilhas nem de modelos racionais perfeitos. Surgem quando a razão institucional falha e a justiça não alcança. Nesse vazio, a intuição coletiva substitui o cálculo. É a força ingênua, desprezada pelos intelectuais, mas historicamente decisiva.
Dessa descrença nascem os “Manés” e os “Forrest Gump” da vida real: figuras improváveis, ridicularizadas por não dominarem a linguagem certa, mas movidas por fé moral e vontade de justiça. Não falta inteligência ao mundo contemporâneo; falta crença de que vale a pena lutar.
Nesse contexto, um jovem deputado inicia uma caminhada solitária em busca de liberdade e sentido. Chamado de mané, transforma o isolamento em adesão. O gesto individual ganha corpo coletivo e expõe o erro recorrente das elites: subestimar a força que nasce fora da sofisticação.
Diante disso, impõe-se a pergunta inevitável: vencerão os ímpios, corruptos e tiranos? Ou estamos prestes a assistir à revolução dos manés, à semelhança da caminhada de Forrest Gump, que começa solitária, é ridicularizada, mas aos poucos passa a reunir milhares?
Como será o amanhã — o dia 25 de janeiro, em pleno ano eleitoral?
Seremos resilientes o bastante para sair do modo sobrevivência e voltar a viver?
Seguir adiante rumo ao propósito final: liberdade e justiça para todos.
Bernadete Freire Campos
Cidadã brasileira, especialista em neurociência, estudiosa do comportamento humano no contexto político.