

Em democracias de verdade, não existe imunidade à crítica nem à rejeição da opinião pública. Algo assim, espontâneo, só se conhece em casos de absoluta devoção popular, como um sentimento creditado aos verdadeiramente santos.
No entanto, a quem se incomoda com críticas e reivindica tal possibilidade, atenção: os santos fazem o bem em condições e proporções extraordinárias. Acumulam tesouros no céu, onde não os roem as traças e a ferrugem. Visitam os enfermos, em vez de lhes retardar atenção. Visitam os presos, em vez de prender inocentes. Dão de comer a quem tem fome, em vez de se refestelarem em banquetes. Amam a Deus sobre todas as coisas e não se creem deuses. Amam o próximo como a si mesmos e não a si mesmos sobre todos os demais. Não semeiam ódios, não geram trevas, não infundem temor.
Além disso operam milagres, não desastres.
Percival Puggina
Membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.













