Resort Tayayá descumpriu normas ambientais. Até a casa de Toffoli estava irregular
26/01/2026 às 11:45 Ler na área do assinanteO resort Tayayá descumpriu normas ambientais e mantém parte de sua estrutura em funcionamento sem licença de operação do Instituto Água e Terra (IAT), órgão do governo do Paraná.
As irregularidades remontam ao período em que Mario Umberto Degani, José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos e primo do ministro do STF, respectivamente, eram sócios do empreendimento.
A irregularidade mais recente envolve uma área construída atrás do edifício principal do resort, onde foram erguidas 18 casas de cerca de 300 m². De acordo com o Estadão, “uma delas é usada pelo ministro Dias Toffoli para reuniões particulares com convidados”.
Ainda segundo o jornal, essa área de expansão não possui licença ambiental de operação, mas já recebe hóspedes.
Desde 2021, o Instituto Água e Terra identificou problemas como a ausência de licenças para obras e para a exploração comercial do resort. O órgão também apontou que o edifício principal foi construído com número de andares superior ao permitido para o local.
Procurado pelo Estadão, o IAT informou que a área onde estão as casas de luxo possui apenas licença de instalação, que autoriza a execução da obra, mas não a operação. O instituto afirmou que realizará uma inspeção técnica no resort ainda nesta semana.
“O IAT fará uma vistoria técnica para averiguar as condições da emissão da licença de operação, requerida em 2025”, informou o órgão em nota.
A vistoria tem como objetivo verificar se a obra cumpriu os requisitos legais exigidos. Apenas após essa etapa seria permitida a exploração comercial.
Documentos do IAT obtidos pelo Estadão indicam que “esses novos imóveis foram erguidos sobre um espaço que estava destinado à compensação ambiental”. Um parecer da agência ambiental do Paraná, ao qual o Estadão teve acesso, afirma que a “licença concedida para a área de expansão é prévia e não permite que o empreendimento entre em operação”. O documento é de outubro de 2022.
“Este empreendimento, de acordo com as características apresentadas, necessita de LICENÇA DE OPERAÇÃO”, diz o parecer.
Para viabilizar o processo de desafetação da área, o Tayayá precisará doar um terreno de 19 mil m² à prefeitura de Ribeirão Claro, município onde o resort está localizado. De acordo com pareceres técnicos do IAT citados pelo Estadão, tanto o início da obra quanto a operação do edifício principal ocorreram sem autorização ambiental.
Por esse motivo, a área técnica do órgão recomendou que o licenciamento seja conduzido por meio de uma Licença Ambiental de Regularização, modalidade aplicada a empreendimentos já construídos.
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da Redação