
AO VIVO: Jogada de Caiado bagunça o tabuleiro político e vira o jogo em Brasília (veja o vídeo)
28/01/2026 às 06:54 Ler na área do assinante
O movimento recente do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, não foi apenas mais uma declaração política. Foi um gesto calculado, com endereço certo e impacto direto sobre o tabuleiro nacional. Ao antecipar posicionamentos, sinalizar independência e ocupar um espaço que estava vago dentro do campo da direita institucional, Caiado alterou a lógica do jogo — e forçou adversários e aliados a se reposicionarem.
Em Brasília, o gesto foi lido como um recado claro: o ciclo de 2026 começou antes do previsto.
UM MOVIMENTO QUE ROMPE A INÉRCIA DA DIREITA TRADICIONAL
Desde o fim do último ciclo eleitoral, o campo conservador vive uma espécie de impasse estratégico. De um lado, uma base social mobilizada, mas fragmentada. De outro, lideranças tradicionais cautelosas, esperando o cenário jurídico, institucional e econômico se consolidar antes de assumir protagonismo.
Caiado rompe essa inércia ao:
- Assumir discurso mais nacional, deixando de falar apenas como gestor estadual;
- Sinalizar autonomia em relação às grandes lideranças que hoje polarizam o debate;
- Reposicionar a direita como força administrativa, institucional e pragmática — e não apenas reativa.
Na prática, ele ocupa um espaço que estava vazio: o da direita com verniz institucional, discurso técnico, mas capacidade de enfrentamento político.
Isso incomoda tanto o campo governista quanto setores da própria direita que apostavam em um vácuo prolongado até 2027.
O EFEITO DOMINÓ NO SISTEMA POLÍTICO
O impacto da jogada de Caiado não está apenas no que ele disse — mas em como o sistema reagiu.
Três movimentos já começam a aparecer nos bastidores:
1. Reorganização de alianças regionais
Governadores, prefeitos e lideranças locais passam a enxergar em Caiado uma possível âncora nacional para projetos estaduais, principalmente no Centro-Oeste, Sul e parte do Sudeste.
2. Incômodo no campo governista
A emergência de um nome competitivo fora do eixo tradicional obriga o governo e seus aliados a anteciparem narrativas, ataques e estratégias de neutralização.
3. Pressão sobre outras lideranças da direita
Nomes que vinham operando em silêncio agora são empurrados para uma escolha: entram no jogo ou perdem espaço político e simbólico.
O tabuleiro deixa de ser binário. E isso muda completamente a lógica da disputa futura.
O QUE CAIADO ESTÁ REALMENTE JOGANDO
Mais do que uma pré-candidatura explícita, Caiado trabalha três ativos estratégicos:
- Autoridade administrativa – segurança pública, gestão fiscal e estabilidade institucional.
- Imagem de previsibilidade – algo raro num ambiente político marcado por rupturas e improvisos.
- Capacidade de diálogo transversal – trânsito entre empresários, setor produtivo, Congresso e parte do eleitorado conservador moderado.
Ele não disputa apenas votos. Disputa confiança institucional — um ativo escasso no Brasil atual.
PROJEÇÕES: O QUE PODE ACONTECER A PARTIR DAQUI
Curto prazo (próximos 6 a 12 meses)
- Aumento da exposição nacional de Caiado em eventos, entrevistas e articulações políticas.
- Intensificação de ataques indiretos e tentativas de rotulagem ideológica.
- Aproximação de grupos empresariais e setores produtivos buscando previsibilidade política.
Médio prazo (2026 se consolidando)
- Consolidação de um bloco político que pode funcionar como terceira via real — não retórica.
- Redefinição das alianças partidárias, especialmente em legendas de centro-direita.
- Disputa interna no campo conservador por protagonismo e narrativa.
Longo prazo (cenário estrutural)
- Se bem executada, a estratégia pode reposicionar a direita brasileira para um novo ciclo institucional, menos emocional e mais estratégico.
- Caso haja erro de leitura de timing ou excesso de exposição precoce, o movimento pode gerar desgaste antes da largada oficial.
O jogo está aberto — e não existe mais zona de conforto para ninguém.
CONCLUSÃO
A jogada de Caiado não é improviso. É leitura de cenário. É ocupação de espaço. É antecipação de poder.
Ao bagunçar o tabuleiro, ele obriga o sistema político a sair da defensiva e a revelar suas cartas antes do tempo. Em política, quem força o adversário a se mexer primeiro já está, na prática, uma jogada à frente.
2026 começou — mesmo que oficialmente ainda não.
Veja o vídeo:
Emílio Kerber Filho
Jornalista e escritor
Autor do livro “Por trás das grades - O diário de Anne Brasil”.











