AO VIVO: Gleisi entrega Lula e expõe o Planalto (veja o vídeo)
29/01/2026 às 09:25 Ler na área do assinanteUma declaração da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, caiu como uma bomba política em Brasília e acabou jogando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no centro de mais uma controvérsia sensível. Ao afirmar que Lula tinha conhecimento prévio dos contratos firmados pelo ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski com o Banco Master, Gleisi acabou fazendo o que a oposição chama de “entrega política” do presidente.
O que até então era tratado como um assunto restrito à atuação de Lewandowski no setor privado passou, a partir da fala da dirigente petista, a atingir diretamente o Palácio do Planalto.
Defesa que virou problema
A intenção de Gleisi, segundo aliados, era simples: afastar suspeitas de irregularidade e mostrar que não havia nada de oculto na relação entre Lewandowski e o banco. O efeito, porém, foi devastador do ponto de vista político.
Ao assumir publicamente que Lula sabia dos contratos, a presidente do PT eliminou uma das linhas de defesa mais usuais em crises desse tipo: o desconhecimento do chefe do Executivo. Com isso, o presidente deixa de ser apenas espectador e passa a ser visto como alguém plenamente ciente das relações envolvendo um ex-ministro do Supremo.
O foco saiu de Lewandowski e caiu no colo de Lula
Até a declaração, o debate girava em torno do comportamento de Lewandowski após deixar o STF e sua relação com o mercado financeiro. Depois da fala de Gleisi, o centro da crise mudou completamente de endereço.
Agora, a pergunta que ecoa nos bastidores de Brasília não é mais “o que Lewandowski fez”, mas “por que Lula sabia e concordou”. Politicamente, isso amplia o desgaste do presidente e fornece munição para adversários que já criticam a proximidade entre governo, Judiciário e sistema financeiro.
Desgaste político em plena tentativa de reaproximação com o centro
O episódio ocorre em um momento delicado para o governo. Lula tenta reduzir rejeição, reconstruir pontes com o centro político e sinalizar moderação. A fala de Gleisi, no entanto, empurra o presidente novamente para o centro de uma narrativa de aparelhamento e relações cruzadas entre poder político e instituições.
Não se trata, neste momento, de acusação jurídica formal. O problema é outro: imagem, narrativa e desgaste acumulado.
A “entrega” que o Planalto não precisava
Nos bastidores, a avaliação é que Gleisi falou além do necessário. Ao tentar blindar o partido, acabou retirando camadas de proteção do presidente. O resultado é um novo flanco aberto, em um governo que já enfrenta dificuldades para controlar crises de comunicação e alinhamento interno.
Para críticos, o episódio reforça uma percepção recorrente: o PT governa como se estivesse permanentemente em campanha, priorizando a militância em detrimento da estratégia institucional.
Olhando para 2026
Isoladamente, o caso pode não derrubar o governo. Mas, somado a outros episódios, contribui para a construção de uma narrativa de desgaste contínuo em torno de Lula. Em política, a sucessão de pequenos ruídos costuma pesar mais do que um grande escândalo.
E, desta vez, o ruído veio de dentro.
Emílio Kerber Filho
Jornalista e escritor
Autor do livro “Por trás das grades - O diário de Anne Brasil”.