
Surge novo pré-candidato à Presidência dizendo que "minuta" não é tentativa de golpe e teria feito como ministro
31/01/2026 às 13:42 Ler na área do assinante
Um novo pré-candidato à Presidência da República acaba de surgir: Aldo Rebelo, 69 anos, pelo Democracia Cristã (DC).
Ex-integrante do PC do B e militante histórico da esquerda nacionalista, Aldo participou de governos petistas e presidiu a Câmara dos Deputados, mas nos últimos anos passou a ser bem recebido pela direita. Questionado sobre a possibilidade de apoiar a reeleição de Lula, respondeu de forma direta:
"Deus me livre".
Em entrevista entrevista à Folha, ele rejeitou a tese de que tenha havido tentativa de golpe de Estado no episódio que resultou na condenação e prisão de Jair Bolsonaro. Para Aldo, o documento apresentado pelo então presidente aos comandantes das Forças Armadas não configura ruptura institucional.
"A minuta estava baseada na Constituição. Eu era ministro da Defesa. Se a presidente Dilma [Rousseff] tivesse me pedido uma minuta daquela, eu teria feito", afirmou, ao comentar o texto que previa a decretação de estado de defesa para impedir a posse de Lula.

Aldo afirma que não mudou de princípios. Diz que sempre foi nacionalista e que sua formação política se deu na defesa da democracia, da liberdade e da soberania nacional. Segundo ele, foi esse setor político que passou a se aproximar de sua agenda, e não o contrário. Ele também critica Lula por, em sua avaliação, ter permitido que órgãos como o Ibama exerçam poder excessivo, citando como exemplo o veto à exploração de petróleo na margem equatorial.
O distanciamento da esquerda, segundo Aldo, também se deve ao avanço da chamada agenda identitária. Ele afirma que a política deixou de se concentrar no interesse geral e passou a priorizar pautas baseadas em critérios biológicos, como raça, gênero e cor da pele. Para ele, essa agenda atende a interesses de grandes corporações, do sistema financeiro, de parte da mídia e do Supremo Tribunal Federal, mas não reflete suas prioridades.
Ao comentar a situação de Jair Bolsonaro na prisão, Aldo comparou o caso ao do ex-presidente Fernando Collor, destacando que Collor obteve prisão domiciliar rapidamente, apesar de ter uma saúde mais estável. Para ele, há uma linha tênue entre justiça e vingança, o que acaba gerando ressentimentos e agravando o ambiente político.
Reforçando sua posição sobre a chamada tentativa de golpe, Aldo voltou a sustentar que o documento apresentado não caracteriza conspiração. Para ele, condena-se uma intenção ou uma ideia, e não um ato concreto. Ele afirmou que, se estivesse no lugar de Dilma Rousseff durante o processo de impeachment e fosse solicitado a elaborar um texto semelhante, teria feito o mesmo.
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