Sigilo, o escudo dos poderosos

Ler na área do assinante

O Caso Epstein: O Segredo que Protegeu o Crime.

Nos Estados Unidos, o nome de Jeffrey Epstein virou sinônimo de escândalo global.

Bilionário, acusado de tráfico sexual de menores, manteve por anos uma rede de abusos blindada por conexões políticas e sociais.

- Foram 3 milhões de páginas, 2 mil vídeos e 180 mil imagens mantidos em sigilo.
- Só em 2026, após pressão pública e uma lei de transparência, os arquivos começaram a ser liberados.
- O resultado: revelações tardias, cúmplices expostos e a certeza de que o segredo foi cúmplice da impunidade.

O BRASIL E OS SIGILOS DE 100 ANOS

No Brasil, governos recentes decretaram sigilos de até 100 anos sobre informações públicas.

- Cartões de vacinação, visitas ao Palácio da Alvorada, gastos com cartões corporativos, registros de acesso a prédios oficiais.
- Tudo blindado sob a justificativa de “proteger a privacidade” de autoridades.
- Na prática, o sigilo funciona como escudo político: impede que a sociedade fiscalize e atrasa a verdade por gerações.

O CORPORATIVISMO PERNICIOSO – AS SEMELHANÇAS

- Epstein: documentos escondidos para proteger uma rede criminosa internacional.
- Brasil: documentos escondidos para proteger autoridades e governos de escrutínio público.
- Resultado comum: a verdade só aparece quando já não pode punir, apenas escandalizar.

O PREÇO DO SEGREDO

O segredo não protege a democracia, protege os poderosos.

- Nos EUA, o sigilo blindou abusos sexuais e corrupção internacional.
- No Brasil, o sigilo de 100 anos blinda privilégios, gastos e possíveis irregularidades.
- Em ambos os casos, o povo paga o preço: desinformado, enganado e impotente diante da muralha burocrática.

SIGILO É PRISÃO DOMICILIAR DA VERDADE.

Nos EUA, demorou décadas para que os arquivos de Epstein viessem à tona.

No Brasil, decretos de 100 anos querem enterrar informações até que ninguém mais esteja vivo para cobrar.

O segredo é o cúmplice da corrupção. O silêncio é a arma da impunidade. O povo exige transparência — e não pode esperar um século para recebê-la.

Foto de Jayme Rizolli

Jayme Rizolli

Jornalista.