
Vazam dados preocupantes envolvendo ministros do STF

08/02/2026 às 07:01 Direito e Justiça

Cinco integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) figuram como sócios de 11 empresas atuantes em áreas como agronegócio, educação, advocacia e gestão imobiliária. A informação consta em um levantamento realizado pelo UOL com base em registros da Receita Federal.
O assunto ganhou maior visibilidade após o ministro Dias Toffoli defender publicamente que magistrados possam ser proprietários de fazendas e participar do quadro societário de empresas, com direito ao recebimento de dividendos. A declaração reacendeu o debate sobre limites legais e éticos da atuação patrimonial de membros do Judiciário.
A discussão ocorre em um contexto de maior escrutínio sobre o Supremo, impulsionado por reportagens recentes que mencionaram relações empresariais do banco Master com parentes de Toffoli e com a esposa do ministro Alexandre de Moraes. Esses episódios ampliaram o interesse público sobre eventuais vínculos econômicos envolvendo integrantes da Corte.
De acordo com o levantamento, não há ilegalidade nas participações identificadas. A Lei Orgânica da Magistratura (Loman) veda que juízes atuem como administradores de empresas, mas não proíbe que sejam sócios. Em nota, o STF afirmou que a legislação é observada pelos ministros.
Gilmar Mendes aparece como sócio da Roxel Participações, holding com capital social de R$ 9,8 milhões. Também integram a sociedade seus filhos, Francisco e Laura Mendes. A Roxel participa do capital do IDP, da MT Crops e da GMF Agropecuária, formando um grupo empresarial com atuação diversificada.
Além disso, Gilmar Mendes mantém vínculo com o IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa), instituição que oferece cursos superiores em áreas como Direito, Economia e Administração. O instituto é administrado por Francisco Mendes. Outra empresa do grupo é a MT Crops, sediada em Diamantino (MT), especializada no comércio atacadista de defensivos agrícolas, adubos, fertilizantes e corretivos do solo. O ministro também figura na GMF Agropecuária, propriedade rural em Alto Paraguai (MT) voltada ao cultivo de soja, em sociedade com irmãos e um cunhado.
O ministro Nunes Marques possui registrada a empresa Nunes & Marques Administradora de Imóveis, criada em 2014 com foco na administração patrimonial. Consta como sócios sua irmã, Karine Nunes Marques, e seu filho, Kauan de Carvalho Marques.
Ele também aparece como sócio da Educacional e capacitação Ltda., aberta em junho de 2025, após sua posse no STF, ocorrida em 2020. A empresa é administrada por uma sobrinha do ministro e tem como atividade principal registrada “treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial”. O gabinete de Nunes Marques confirmou a sociedade e informou que a Educacional tem como objeto social exclusivo a realização de palestras, enquanto a Administradora de Imóveis seria destinada à gestão de bens da família.
André Mendonça mantém participação na Integre Cursos e Pesquisa em Estado de Direito e Governança Global, empresa aberta em maio de 2022, poucos meses após sua posse no STF, em dezembro de 2021. A esposa do ministro, Janey Mendonça, figura como sócia.
O ministro também esteve ligado ao Instituto Iter, fundado em novembro de 2023. Inicialmente, o instituto teve como sócios a Integre Cursos, Janey Mendonça e nomes associados ao governo federal, entre eles o ex-ministro da Educação Victor Godoy. Em 2024, a empresa foi transformada em sociedade anônima, passando a constar apenas Victor Godoy nos registros da Receita Federal. Apesar disso, a empresa continuou comercializando palestras de Mendonça. Segundo reportagem de O Estado de S. Paulo, publicada em outubro de 2025, o instituto teria faturado R$ 4,8 milhões em contratos públicos.
Cristiano Zanin surge como sócio da Attma Participações, empresa voltada à gestão de imóveis próprios. A companhia possui capital social de R$ 260 mil e foi constituída em sociedade com a esposa do ministro, Valeska Zanin.
Já Flávio Dino é sócio do IDEJ (Instituto de Estudos Jurídicos), fundado em 2003 sob o nome fantasia “Dínamo Educacional”. A empresa foi criada em parceria com o irmão do ministro, Sálvio Dino Jr., e tem como atividade principal a oferta de cursos preparatórios para concursos públicos. Por meio da assessoria de imprensa do STF, Dino informou que o IDEJ foi fundado há mais de 20 anos.
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