
AO VIVO: Lula afunda em estados do Nordeste e enfrenta desidratação política em redutos históricos (veja o vídeo)

09/02/2026 às 06:55 Política

O presidente Lula começa a sentir, de forma cada vez mais clara, a perda de tração política em estados do Nordeste que historicamente sustentaram o projeto petista. Ceará, Bahia, Rio Grande do Norte e Sergipe revelam hoje um cenário de desgaste, impopularidade de aliados e ruptura silenciosa com o eleitor — um alerta grave para o Planalto.
No Ceará, a situação do governador Elmano de Freitas se tornou emblemática. Eleito sob a forte influência de Lula e do PT nacional, Elmano enfrenta hoje um governo sem identidade própria, baixa capacidade de articulação política e crescente rejeição popular. Pesquisas e movimentos de bastidores já indicam que, em um eventual confronto eleitoral, Ciro Gomes desponta como favorito, capitalizando o sentimento de frustração com a atual gestão. O Ceará, que por anos foi apresentado como vitrine do petismo, hoje expõe o esgotamento desse modelo político.
Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues vive um dos momentos mais delicados desde o início do mandato. Apesar do alinhamento total com Lula, Jerônimo sofre com altos índices de impopularidade, dificuldades na gestão da segurança pública e incapacidade de responder às demandas econômicas do estado. O eleitor baiano, tradicionalmente fiel ao PT, demonstra sinais claros de cansaço. A marca Lula já não é suficiente para sustentar a popularidade do governo estadual, e a desconexão com a realidade local começa a cobrar seu preço.
O Rio Grande do Norte apresenta um quadro ainda mais simbólico do desgaste petista. A governadora Fátima Bezerra enfrenta forte rejeição popular, agravada por problemas fiscais, infraestrutura precária e desgaste político acumulado. O sinal mais claro da crise é interno: o próprio vice-governador não demonstra interesse em assumir o comando do estado, um fato raro e revelador. O gesto escancara a percepção de que o governo se tornou um fardo político, e não uma plataforma de continuidade.
Em Sergipe, o eleitor parece ter “acordado de vez”. O estado, que por muito tempo acompanhou o movimento político regional, agora demonstra maior independência eleitoral. Cresce o distanciamento do discurso governista e a rejeição à lógica de alinhamento automático com Brasília. A população cobra resultados concretos e demonstra menos tolerância com narrativas ideológicas ou promessas futuras.
Esses quatro casos revelam um padrão preocupante para Lula: a dependência excessiva do capital político do passado e a aposta em lideranças locais frágeis. O governo federal falhou em fazer a leitura correta do território, subestimou o desgaste econômico e ignorou sinais claros de mudança no humor do eleitor nordestino.
O Nordeste continua decisivo, mas já não responde automaticamente ao discurso petista. A base que parecia sólida mostra rachaduras profundas. E, como a história eleitoral ensina, quando o eleitor começa a se afastar em silêncio, a derrota costuma chegar antes do que o poder imagina.
Veja o vídeo:
Emílio Kerber Filho
Jornalista e escritor
Autor do livro “Por trás das grades - O diário de Anne Brasil”.











