Coronel é investigado em “esquema” ligado ao PCC juntamente com a própria mãe, o padrasto e o marido

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A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo investiga o tenente-coronel José Henrique Martins Flores por suspeita de utilizar familiares como laranjas em empresas de segurança que prestaram serviços a empresários ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação foi aberta após indícios de que o oficial teria registrado empresas em nome da mãe e do padrasto para burlar o regimento da corporação, que proíbe policiais da ativa de administrarem empresas de segurança privada.

A apuração ganhou força após a Operação Kratos, deflagrada pela Corregedoria da PM-SP na quarta-feira (4). A ação resultou na prisão do capitão Alexandre Paulino Vieira, então chefe da Assessoria Militar da Câmara Municipal de São Paulo, e dois sargentos. Eles são acusados de participação em esquema que fornecia segurança para os empresários Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, e Cícero de Oliveira, o Té.

Pandora e Té são diretores da Transwolff, empresa de ônibus que teve seu contrato com a Prefeitura de São Paulo rescindido após a Operação Fim da Linha, realizada em 2024. A companhia é suspeita de lavar dinheiro para o PCC.

Uma nota fiscal emitida em 3 de novembro de 2020 pela empresa AM3 Segurança e Vigilância, enviada pelo capitão Paulino Vieira ao empresário Té, serviu como ponto de partida para os investigadores chegarem ao tenente-coronel Flores. A empresa está registrada em nome de Fátima Canuto de Estefani, mãe do oficial.

Durante as investigações, a Corregedoria identificou outra empresa com nome similar, a AM3 Portaria e Segurança, registrada em nome de Antônio dos Santos de Estefani, padrasto do tenente-coronel. Além disso, Rafael Bezerra da Silva, marido do oficial, aparece como proprietário da Pro Mais Facilities Ltda., também do ramo de segurança.

"A prática administrativa e a experiência investigativa demonstram que a constituição de empresas em nome de familiares, nesses casos, não se apresenta como estratégia lícita de organização patrimonial, mas como meio de burla ao regime jurídico militar", afirma o inquérito conduzido pela Corregedoria.

O histórico de um aplicativo de entregas de comida utilizado pelo tenente-coronel Flores mostrou sua presença frequente nos endereços das empresas de segurança, reforçando a suspeita de sua participação ativa na administração dos negócios.

A investigação descobriu que a AM3 continuou prestando serviços para a Transwolff até janeiro de 2026, meses após a Operação Fim da Linha, que investigou as ligações da empresa de ônibus com o PCC.

"Não se pode admitir que a vedação legal ao exercício de comércio seja esvaziada por construções meramente formais, sob pena de se legitimar a fraude ao regime jurídico especial dos militares", complementa o documento da investigação.

A Justiça Militar autorizou o afastamento do sigilo fiscal e telemático das empresas do grupo AM3, permitindo que os investigadores realizassem operações de busca e apreensão na sede das empresas, na residência da mãe do tenente-coronel e em outros três endereços vinculados ao oficial.

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da Redação