
Brasil pode virar palco de tensão militar entre EUA e Rússia

11/02/2026 às 12:56 Opinião

Imagem feita por IA
É preocupante observar como grande parte do jornalismo brasileiro tem tratado os conflitos internacionais de forma superficial. O embate entre Estados Unidos e países como Venezuela e Cuba costuma ser reduzido a uma disputa pelo petróleo. Embora o interesse energético seja inegável, essa é apenas a face mais visível de uma disputa muito mais complexa: uma guerra de influência entre grandes potências nucleares.
Nos bastidores, os Estados Unidos têm se posicionado contra a presença de China, Irã e Rússia na América Latina. A China, principal financiadora da expansão russo-chinesa na região, desempenha papel estratégico semelhante ao que a Rússia exerceu na Ucrânia ao se opor à expansão da OTAN. Da mesma forma, Washington não aceita a possibilidade de bases militares russas em países como Venezuela, Cuba ou mesmo Brasil.
Esse cenário internacional se entrelaça com as tensões políticas internas brasileiras. A polarização ideológica pode definir o alinhamento do país: setores da direita cristã tendem a aproximar-se de Estados Unidos e Israel, enquanto a esquerda se inclina para Rússia, China, Irã e Palestina. Tal divisão abre espaço para que o Brasil se torne palco de disputas geopolíticas de proporções inéditas.
A oposição à agenda marxista no Brasil tem sido conduzida, em grande medida, por setores cristãos, especialmente entre os evangélicos.
O risco não é apenas diplomático.
Caso o confronto entre EUA e Rússia se materialize em território brasileiro, as consequências seriam devastadoras: colapso econômico, agravado pela corrupção endêmica que permeia instituições públicas e privadas, inclusive religiosas.
A condução da mídia tradicional, ao tratar o cenário como mera disputa eleitoral, contribui para manter a população em uma perigosa zona de conforto.
No plano global, a Europa cristã perdeu protagonismo, enquanto o islamismo se consolidou como força religiosa e econômica de peso, influenciando agendas políticas.
Nesse contexto, resta observar se Brasil, Estados Unidos e Israel encontrarão pontos de convergência estratégica. Por ora, esse alinhamento ainda parece distante.
Silas Anastácio
Fundador do Ministério Davar, desempenha papel estratégico nos bastidores da mídia evangélica. Colabora com instituições judaicas, trazendo mais de uma década de experiência no engajamento com temas relacionados a Israel e à comunidade judaica no Brasil.












