Sequestraram o Carnaval no Brasil: Alegria do povo corre o risco de ser engolida pela política rasteira
11/02/2026 às 14:09 Opinião
O Carnaval brasileiro sempre foi mais do que festa: era identidade, era povo na rua, era família reunida para assistir ao “corso”, aquele desfile das escolas de samba que encantava gerações.
Havia magia, havia pertencimento.
Com o tempo, claro, houve evolução.
As escolas cresceram, os desfiles se tornaram espetáculos grandiosos, a disputa entre elas ganhou contornos épicos. O mundo inteiro passou a olhar para o Brasil como referência de cultura popular.
Até aí, tudo bem.
Mas nem toda evolução é positiva.
O que vemos hoje é um Carnaval que perdeu parte da sua essência. A festa que nasceu do povo foi, pouco a pouco, sequestrada por interesses políticos e econômicos. O brilho das fantasias e a potência dos enredos muitas vezes escondem bastidores sombrios: patrocínios questionáveis, acordos de conveniência e até o uso de dinheiro público para transformar desfile em palanque.
É triste constatar que, em vez de ser espaço de celebração da diversidade e da criatividade, o Carnaval se tornou também ferramenta de propaganda.
Quando o próprio presidente da República banca uma escola de samba para receber apoio explícito, estamos diante de um desvio grave: a festa popular vira marketing eleitoral antecipado.
E o silêncio em torno disso é ensurdecedor.
O Carnaval merece respeito.
Não pode ser reduzido a moeda de troca. O povo que construiu essa festa — do batuque na comunidade ao luxo da avenida — merece que ela continue sendo expressão autêntica da cultura brasileira, e não vitrine de interesses particulares.
O que se transformou o Carnaval no Brasil?
Em espetáculo, sim.
Mas também em campo de disputa onde a alegria do povo corre o risco de ser engolida pela política rasteira.
E isso, convenhamos, não tem nada de festivo.
Jayme Rizolli
Jornalista.