A CPI do Crime Organizado, as acusações de Garotinho e os seus reflexos na política em Sergipe
12/02/2026 às 18:20 Opinião
A política sergipana ganhou novos contornos após a participação do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho na CPI do Crime Organizado, no Senado Federal. Durante seu depoimento, ele acusou o ex-deputado federal por Sergipe André Moura, atualmente secretário de Governo do Estado do Rio de Janeiro, de envolvimento com o crime organizado carioca. A declaração reverberou imediatamente nos bastidores políticos, sobretudo em Sergipe, onde Moura mantém influência e articulações para o cenário eleitoral de 2026.
Vale recordar que o ex-deputado André Moura, em 2021 foi condenado pelo STF a 8 anos e 3 meses de prisão em regime fechado e a 5 anos de proibição para exercício de cargo público pelas acusações de peculato, formação de quadrilha e desvio e apropriação de recursos públicos. Já o senador Alessandro Vieira é delegado de polícia civil.
O episódio ganhou ainda mais repercussão quando o relator da CPI, senador Alessandro Vieira, que integra a mesma chapa de situação do governo estadual e deve dividir palanque com André Moura nas próximas eleições, adotou um tom duro em entrevista. Vieira afirmou que “dorme e acorda com o despertador”, ao contrário de Moura, que, segundo ele, poderia “acordar com a polícia à porta”. A declaração elevou a temperatura do debate e expôs publicamente fissuras no campo político aliado.
A fala do senador, além de reforçar a gravidade das acusações apresentadas na CPI, projeta efeitos diretos sobre a composição das alianças para 2026. A convivência política entre figuras que dividem o mesmo espaço eleitoral, mas trocam acusações dessa magnitude, torna-se um desafio estratégico para o grupo governista.
O governador Fábio Mitidieri do PSD, que já antecipou voto para Lula, vai brincar o Carnaval com fantasia de bombeiro.
Nos bastidores, lideranças avaliam que o episódio pode influenciar tanto a narrativa eleitoral quanto o reposicionamento de atores políticos locais. Enquanto isso, a oposição observa o desenrolar dos fatos como oportunidade para questionar a coerência e a unidade do bloco situacionista.
Em meio a acusações, declarações contundentes e articulações para o futuro, a política sergipana parece viver um momento que remete à antiga brincadeira infantil de “polícia e ladrão”. No entanto, longe de ser um jogo, trata-se de um cenário que envolve reputações, mandatos e o futuro político do estado.
O senador Alessandro Vieira, que se recusa a apoiar o ex-deputado André Moura, por seu histórico de condenação, não se posiciona da mesma forma em relação a Lula, que foi condenado em 2017 à nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Alessandro apoiou Lula em 2022 e em 2026 deve continuar trilhando no mesmo caminho.
Ao fim, caberá ao eleitorado acompanhar os desdobramentos da CPI, avaliar as falas e decidir, nas urnas, quem representa o quê nesse tabuleiro cada vez mais tensionado.
Henrique Alves da Rocha
Coronel da Polícia Militar do Estado de Sergipe.