
Ministros sobre vazamento de reunião: “Coisa de Moleque”

13/02/2026 às 20:15 Direito e Justiça

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) manifestaram indignação após o vazamento de uma reunião confidencial sobre o caso do Banco Master, classificando o episódio como "coisa de moleque". O encontro, realizado na quinta-feira (12), resultou na saída de Dias Toffoli da relatoria das investigações relacionadas à instituição financeira.
O site Poder360 publicou nesta sexta-feira (13) supostos diálogos da reunião, reproduzindo falas atribuídas aos magistrados. Alguns ministros contestaram o conteúdo das transcrições, afirmando haver elementos "diferentes" nas conversas divulgadas.
Dias Toffoli negou ter gravado a reunião.
"Jamais fiz ou faria algo assim. Pura inverdade e especulação", declarou o ministro.
Participantes ressaltaram que apenas os dez ministros em exercício estavam presentes no encontro, sem auxiliares ou técnicos.
A situação ganhou complexidade após a Polícia Federal (PF) entregar ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório pericial sobre o celular de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O documento identificou menções ao nome de Toffoli em mensagens encontradas no aparelho.
Em resposta, o gabinete de Toffoli emitiu nota reconhecendo ter recebido um "pedido de declaração de suspeição" elaborado pela PF, mas caracterizou o documento como baseado em "ilações". A reunião ocorreu depois que Toffoli contestou a suspeição e o relatório foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República.
De acordo com o Poder360, sete ministros teriam se posicionado favoravelmente à permanência de Toffoli como relator: Alexandre de Moraes, André Mendonça, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Luiz Fux e Nunes Marques. Cármen Lúcia e Edson Fachin apresentaram ressalvas durante as discussões.
A publicação afirma que Gilmar Mendes teria se manifestado contra a suspeição de Toffoli, baseando-se na análise do relatório com mensagens extraídas pela PF do celular de Vorcaro. O decano defenderia uma solução rápida para o impasse, preferencialmente antes do Carnaval.
Alexandre de Moraes, segundo o Poder360, teria criticado a condução da investigação pela PF no caso Master. O escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci, mantém contrato de R$ 129 milhões por três anos para defender o Banco Master.
Nunes Marques também teria se posicionado contra o afastamento de Toffoli, afirmando não encontrar elementos no relatório da PF que justificassem impedimento, conforme o Poder360. André Mendonça, atual relator após Toffoli deixar a condução do inquérito, reconheceu a existência de uma crise institucional, mas sinalizou que votaria contra o pedido de suspeição.
Cristiano Zanin, de acordo com o portal, questionou o volume e a consistência das informações enviadas pela PF. O magistrado alertou que o reconhecimento formal da suspeição poderia invalidar provas já produzidas na investigação.
Flávio Dino defendeu que pedidos de suspeição contra ministros do STF deveriam prosperar apenas em situações extremas, segundo o Poder360. O ministro sugeriu uma solução administrativa para a crise.
Apesar da maioria favorável à permanência de Toffoli, Cármen Lúcia e Edson Fachin apresentaram ressalvas. Toffoli teria indicado compreender que tinha maioria para continuar no caso, mas sinalizou a possibilidade de solicitar a redistribuição do processo, proposta aceita por Fachin.
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