STF não tem mais vestígios de “ilibada reputação” e tornou-se “tóxico” para o país, diz respeitado jornalista
13/02/2026 às 20:32 Opinião
Um excelente texto do jornalista Adalberto Piotto faz uma análise extremamente coerente sobre a atual situação de nossa Suprema Corte. A realidade é extremamente dolorida para a sociedade. Confira:
"O Poder 360 traz reportagem que desmonta qualquer vestígio de ilibada reputação do STF na reunião de quinta-feira para tratar do caso Toffoli, depois que a Polícia Federal levou ao presidente Edson Fachin informações que colocariam a relatoria do ministro no caso do Banco Master sob elevada suspeição. As investigações trariam conteúdo ainda mais grave, na verdade.
Então, tomando pelo valor de face os bastidores da reunião de ontem, trazida pelo Poder, há duas coisas que se pode ressaltar:
A primeira é ruim, de gênese. O STF teria se tornado tóxico ao país, uma instituição sem moral para julgar segundo as duas exigências que se requer de postulantes à corte: reputação ilibada e notável saber jurídico, o que juntas obrigam os ministros a respeitar e defender a Constituição de maneira inequívoca. Ainda mais perigoso é que se trata de uma instituição desmoralizada de dentro para fora, mas ainda com muito poder. Com 85% de decisões monocráticas, a maioria que tergiversa sobre a Constituição margearia o estilo de monarcas sem controle. É caso notório de decadência político-institucional no pior sentido para uma corte de Justiça que não se expõe ao voto de quatro em quatro anos para escrutínio do eleitor. Um alienígena institucional, como tenho defendido há tempos em minhas colunas e comentários na Revista Oeste. O Brasil estaria refém de juízes à margem da lei e do mínimo decoro.
A parte moderadamente boa de toda essa história é que a corte perdeu aquela áurea de poder moderador e garantidor da República - falsa, sabemos, mas que convencia e interessava a muita gente que também havia perdido todos os pruridos de civilidade democrática e jurídica. Em política, e o STF se colocou debaixo deste guarda-chuva ao se afastar da tecnicidade da Justiça, todo mundo deve satisfação a alguém. Pode ser legítima e pública, como ao povo, ou estranha e impublicável, negociada nos bastidores. Mas deve. Todos devem satisfação. Em um dado momento, o STF conseguiu, de tão anabolizado que ficou com esse estranho poder que se deu e que lhe foi concedido por tanta gente omissa ou interesseira, dar de ombros a essa regra. Ao impor medo e perseguição, dicou acima disso tudo, acima do Brasil. O escândalo atual - de dentro para fora, insisto - o devolveu à regra dos mortais na política.
Numa perspectiva moderadamente otimista, importante notar que há fatos novos que, como tenho dito, colocam o STF nas cordas como jamais esteve. Está sendo questionado por mais gente, inclusive pela parte da imprensa e da sociedade que antes o apoiava mesmo nos abusos. E o principal: o escândalo vem de dentro, vem dos próprios ministros, não tem inimigo externo como quando miraram Bolsonaro e os presos do dia 8 e cometeram todas as atrocidades jurídicas possíveis. Antes, alegavam estar "salvando a democracia". Nunca estiveram.
Por fim, diante do corporativismo que se viu nas supostas declarações da reunião fechada dos ministros, a torcida agora é por mais bastidores, mais vazamentos e pelos narizes mais sensíveis de ministros que não queiram manter a aparente união sob um mau cheiro insuportável."
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da Redação