Toffoli descobre quem é o "culpado" por sua derrocada
15/02/2026 às 08:50 Direito e Justiça
Em meio à pressão para deixar a condução do inquérito que apura questões relacionadas ao Banco Master, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), passou a atribuir ao petista Lula a articulação que culminou no envio de um relatório da Polícia Federal (PF) à Corte. A informação foi publicada pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
De acordo com relatos feitos por Toffoli a pessoas próximas, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, teria encaminhado diretamente ao presidente do STF, Edson Fachin, um documento com cerca de 200 páginas. O material reúne registros de ligações telefônicas, mensagens e movimentações financeiras que, segundo os investigadores, teriam relação com o ministro. Na avaliação de Toffoli, Rodrigues não teria agido por conta própria, mas em nome do chefe do Executivo.
A suspeita ganhou força após uma reunião entre Lula e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, realizada poucas horas antes de Toffoli deixar a relatoria do caso. Conforme relatos, o petista teria defendido rigor nas investigações envolvendo o banco. Como titular da Procuradoria-Geral da República (PGR) e chefe do Ministério Público Federal, Gonet possui legitimidade para apresentar eventual pedido de suspeição contra integrante da Corte.
Entre interlocutores, o ministro sustenta que Andrei Rodrigues — que integrou a equipe de segurança de Lula durante a campanha presidencial de 2022 — dificilmente tomaria uma iniciativa de grande impacto institucional sem anuência do Palácio do Planalto. Esse entendimento, segundo aliados, estaria inserido em um histórico de desconfianças acumuladas ao longo dos anos.
Um dos episódios frequentemente lembrados é o período da Operação Lava Jato. Em 2019, quando Lula estava preso em Curitiba, Toffoli exercia a presidência do STF e demorou a deliberar sobre o pedido para que o então detento comparecesse ao funeral de seu irmão. A autorização foi concedida pouco antes do sepultamento, com condições que acabaram inviabilizando a saída.
Outro fator citado por pessoas próximas ao ministro envolve sua relação com o ex-presidente Jair Bolsonaro durante parte do mandato do líder conservador. Após a vitória eleitoral de Lula, em 2023, Toffoli passou a adotar gestos interpretados como reaproximação com o novo governo, incluindo decisões judiciais de forte repercussão política e críticas incisivas aos métodos adotados pela Lava Jato.
Já no fim de 2025, houve um novo encontro entre Toffoli e Lula, em almoço realizado na Granja do Torto, que contou também com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Na ocasião, o caso Banco Master entrou na pauta. Segundo relatos, o presidente teria afirmado que a condução da investigação poderia “reescrever” a biografia do magistrado.
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da Redação