EXCLUSIVO: Haddad, “o maior ministro da Economia do Paraguai” (veja o vídeo)

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Nos últimos meses, um movimento silencioso tem ganhado força: empresas brasileiras, especialmente pequenas e médias indústrias e negócios do setor de tecnologia e comércio, estão atravessando a fronteira rumo ao Paraguai.

O motivo é direto e objetivo: custo.

Empresários relatam que a soma de tributos federais, estaduais e municipais no Brasil, aliada à complexidade burocrática, tem comprimido margens e dificultado investimentos. No Paraguai, o cenário é outro. O país adota um modelo tributário mais simples, com imposto de renda empresarial em torno de 10% e regras consideradas mais estáveis para quem produz e exporta.

Não é apenas discurso de redes sociais. Cidades de fronteira como Ciudad del Este vêm registrando aumento na instalação de empresas com capital brasileiro, especialmente em setores como confecção, tecnologia, importação e montagem industrial. O regime de maquila paraguaio, que permite produção voltada à exportação com carga tributária reduzida, tem sido um dos principais atrativos.

Empresários ouvidos por entidades empresariais afirmam que não se trata de abandonar o Brasil por convicção ideológica, mas por sobrevivência econômica. “Não dá para competir pagando o dobro de imposto”, resume um industrial do Sul que transferiu parte da produção para o país vizinho.

Enquanto isso, o debate tributário no Brasil segue marcado por discussões sobre aumento de arrecadação e novas formas de compensação fiscal. Para críticos da política econômica atual, o resultado prático é um efeito colateral indesejado: capital produtivo migrando para onde o ambiente é mais previsível.

O Paraguai, que há anos aposta em carga tributária baixa como estratégia de atração de investimentos, colhe os frutos. O Brasil, por sua vez, enfrenta o desafio de equilibrar arrecadação e competitividade.

No meio desse cenário, surge a ironia que circula entre empresários: se continuar nesse ritmo, o ministro da Fazenda do Brasil estará ajudando mais o crescimento do PIB paraguaio do que o brasileiro.

O movimento ainda é gradual, mas constante. E a pergunta que começa a ecoar nos bastidores do setor produtivo é simples: até que ponto o Brasil pode suportar ver empresas partindo antes que o debate sobre competitividade saia do papel?

Veja o vídeo:

Foto de Emílio Kerber Filho

Emílio Kerber Filho

Escritor e Estrategista Político. Autor do livro: 20 Dias para a Vitória: Os bastidores de uma campanha surpreendente e as estratégias que levaram à vitória eleitoral