As entrelinhas do que disse cada ministro do STF na reunião vazada sobre o caso Master

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A reunião arapongada entre os 10 ministros do STF, conforme descrita no site Poder 360, deu o que falar. As discussões foram em altíssimo nível, como era de se esperar entre magistrados da mais alta das altas cortes. Então, em um serviço de utilidade pública, vou aqui traduzir para o povo leigo o que eles quiseram dizer.

Dias Toffoli: “Vou olhar nos olhos do senhor, presidente, porque não tenho nada a temer. Sou a favor de um código de ética para o Supremo se todos os ministros estiverem de acordo em divulgar as suas declarações de Imposto de Renda, o IR de suas empresas e dos seus familiares ascendentes, descendentes e colaterais até o 2º grau e afins. Eu estou disposto a fazer isso.”

Tradução: Todo mundo tem rabo preso aqui, e não vou cair sozinho.

Gilmar Mendes: “Não estamos aqui para discutir Código de Ética”.

Tradução: deixa disso, irmão, vamos resolver o seu problema.

Dias Toffoli: “Só estou falando sobre o código de ética porque gostaria de deixar claro que não tenho receio em divulgar minhas contas pessoais. Inclusive, abro as minhas contas bancárias. Mas isso é para estar no código de ética. Eu não vou abrir sozinho”.

Tradução: não vem com esse papo mole, não nasci pra Cristo não.

Gilmar Mendes: “Eu acho que o que está por trás disso é que o ministro Toffoli tomou algumas decisões ao longo do seu tempo nesse caso Master aqui no STF que contrariaram a Polícia Federal. E a Polícia Federal quis revidar.

Tradução: esses escroques da PF acham que podem intimidar um ministro do STF. Não perdem por esperar.

Carmen Lúcia: “Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo. Tenho confiança no Toffoli, mas é necessário pensar na institucionalidade."

Tradução: se eu não tivesse carro oficial com motorista e tivesse que tomar táxi, tenho certeza de que os pequenos taxistas tiranos estariam falando mal do Supremo. Não confio no Toffoli, mas precisa manter as aparências da institucionalidade.

Luiz Fux: “O ministro Toffoli para mim tem fé pública. Meu voto é a favor dele. Acabou. Eu não sei o que vocês estão discutindo.”

Tradução: pô, esse CDF do Fachin me chama pra uma reunião na véspera do Carnaval, não é possível. Nem sei o que vocês estão discutindo, poderiam me atualizar, por favor?

Alexandre de Moraes: “Essa investigação da PF foi ilegal. Eu já havia alertado o Andrei que, se houvesse um achado sobre uma autoridade com prerrogativa de foro, a PF não poderia seguir atuando sem pedir autorização para investigar, pois isso poderia provocar uma nulidade no caso. Sou amigo do Andrei, mas meu voto é a favor do Toffoli. Precisa cuidar da institucionalidade, a PF fez um papel sujo, se houve uma investigação é tudo nulo.

Tradução: onde já se viu, a PF investigando banco e encontrando diálogos de um ministro do Supremo. Onde vamos parar? Vou investigar a PF no inquérito das fake news.

Nunes Marques: “Para mim, isso é um nada jurídico. Li rapidamente o relatório da PF e não vi nada que justificasse a suspeição ou o impedimento do ministro Toffoli. Fazer uma sessão extraordinária para analisar a arguição de suspeição é incabível. Isso é um absurdo: o juiz lá da comarca do interior passará a ser comandado pelo delegado local se aceitarmos esse tipo de situação. Acabou o Poder Judiciário do Brasil. O senhor não pode colocar em votação a arguição. Minha sugestão é que o ministro relator do processo faça uma proposição dizendo que não é impedido nem suspeito e coloque os argumentos dele diante do que foi apresentado e a gente vota. E pelo que vi aqui, ele vai ter maioria.”

Tradução: o Poder Judiciário não pode ficar à mercê das forças da lei. É uma pena que o Bolsonaro esteja preso, senão eu ia tomar uma tubaína com ele, e tenho certeza de que ele ia concordar que isso é um absurdo.

André Mendonça: “Tem uma questão sobre o que é descrito como relação íntima do ministro Toffoli e Vorcaro. Isso não existe. Está aqui claro que não existe: relação íntima em 6 anos só com 6 minutos de conversa? Como disse o ministro Fux, a palavra do ministro Toffoli tem fé pública. Então, isso está descartado. [...] E a Roberta sempre teve uma posição íntegra. [...] E a questão de eventos, se for considerada, todos nós somos suspeitos de tudo. [...] Pode acontecer com qualquer um de nós [a investida da Polícia Federal]. Quero saber se vão dar esse tratamento para mim. E encerro aqui”.

Tradução: tem duas mensagens aqui. A primeira: ninguém toca no meu ídolo e na mulher dele. A segunda: qualquer um aqui pode ser investigado pela PF. Queremos isso?

Cristiano Zanin: “Sou há 1 ano e meio relator de um caso que envolve 3 ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e a Polícia Federal até hoje mandou para mim muito menos informação do que essas 200 páginas, com fotos de satélite, cruzamento de celulares…? Isso aqui tudo é nulo. Li no relatório da PF que havia sido encontrada uma menção à empresa de espionagem Black Wall Global, que ele disse não saber exatamente do que se tratava”.

Tradução: li o relatório da PF no detalhe e tenho inveja do trabalho que eles fizeram, podiam ter a mesma dedicação para com minha pessoa.

Alexandre de Moraes: “Eu conheço. Isso aí é o pessoal do Mossad” [referindo-se à empresa Black Wall Global]

Tradução: eu ouvi o Jessé Souza falando alguma coisa a respeito disso aí.

Flávio Dino: “Essas 200 páginas para mim são um lixo jurídico. Não adianta discutir esse lixo jurídico. A crise hoje é política, presidente. Em 2035, se Deus me der saúde, eu quero estar nesta cadeira. E esta cadeira tem bônus e ônus. Eu acho que não adianta pensar nesta cadeira só nos bônus. Eu acho, sr. presidente, que o sr. deveria ter resolvido isso dentro da institucionalidade da presidência. [...] Presidente, acho que o sr. teria de resolver isso sozinho. E acabar com isso”.

Tradução: o senhor presidente é um grandessíssimo bunda-mole. Vocês vão ver quando eu for presidente, como um político lida com denúncia de corrupção.

Flávio Dino (de novo): “A suspeição de ministros do STF só pode ser considerada em situações extremas, como em casos de pedofilia, e se tiver prova, e de estupro, e se tiver prova. E qualquer outro pedido de arguição eu sou STF futebol clube”.

Tradução: como dizia o saudoso Tim Maia, só não vale dançar homem com homem, nem mulher com mulher, o resto vale.

Ainda Flávio Dino: “Isso aqui é um lixo jurídico. Esse problema é político. O ministro pegou uma causa bilionária de R$ 55 bilhões e um negócio dele lá com um fundo de R$ 16 milhões é o problema do país? É óbvio que esse não é o problema do país. Isso é para encobrir os interesses dos grandes empresários”.

Tradução: Tem muito problema pra resolver no país. Deixa o hómi trabalhar!

Flávio Dino, o imparável: “Eu já disse para o meu amigo e irmão Dias Toffoli: veja que já tem maioria. Mas não vai ser unânime. Mas o ministro Dias Toffoli tem voto para continuar. Eu acho, sr. presidente, que o ideal seria resolver isso administrativamente, numa nota, em que os 10 ministros assinassem, dizendo que apoiam o ministro Dias Toffoli, que não há suspeição nem impedimento. E, mesmo com a nota, o ministro Dias Toffoli num gesto de grandeza e em defesa da institucionalidade, tendo em vista o apoio recebido, encaminhará o caso para redistribuição”.

Tradução: amigo e irmão, todo mundo aqui sabe o que você fez, então em troca do nosso apoio você pega o seu banquinho e sai de mansinho.

Dias Toffoli: “Entendo que tenho a maioria, mas posso encaminhar à presidência do STF, na forma regimental, o pedido para que o processo seja redistribuído. Eu sei que a imprensa vai divulgar que eu fui retirado do processo. Eu preferia que fosse diferente, mas se for a decisão hoje para parar hoje… é melhor e eu aceito”.

Tradução: captei vossa mensagem, professor Dino.

Marcelo Guterman. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.

A Magnitsky caiu, mas um dos maiores medos de Moraes ainda está disponível para o povo: o polêmico livro "Supremo Silêncio". A perseguição contra parlamentares, jornalistas e outros absurdos que começaram no famigerado Inquérito das Fakes News foram expostos! Se apresse, a censura está de olho nessa obra! Clique no link abaixo:

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Veja a capa:

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