A malandragem, quando é muito grande, acaba engolindo o malandro: O tiro no pé de Lula

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Vamos dizer que a Acadêmicos de Niterói tenha inocentemente escolhido homenagear Lula. Afinal, Lula é, de fato, uma figura simbólica, com grande densidade popular, e escolhê-lo como tema não deveria ser surpresa. O fato de estarmos em ano eleitoral, e Lula já ter anunciado a sua candidatura à reeleição, seria apenas uma (in)feliz coincidência.

Mas a Escola foi bem além da homenagem a painho. Tiveram lugar na avenida um Bolsonaro caracterizado de Bozo preso e apontando arminha, um Michel Temer roubando a faixa presidencial e uma ala de “família em conserva”, em uma sátira aos valores conservadores

O que tudo isso tem a ver com a história de Lula? Nada, se a ideia era homenageá-lo. Tudo, se a intenção era o de fazer contraponto a adversários políticos. E, ao meu ver, é isso o que caracteriza a propaganda eleitoral.

- Mas a campanha de Lula não teve nada a ver com isso, foi tudo espontâneo.

Sim, essa é uma linha de defesa. Inclusive, a alegação de que a Embratur financiou todas as escolas vai nessa linha também. Tudo muito impessoal e republicano. Mas as imagens não mentem, estão aí para quem tem olhos de ver.

Vai acontecer alguma coisa? Seria uma surpresa. Nem sequer multa haverá, a não ser que encontrem algum dedo do PT diretamente na história. Caso contrário, passará como mais um episódio vergonhoso das nossas eleições.

Mas, como diz o ditado, a malandragem, quando é muito grande, acaba engolindo o malandro. A imagem das famílias em conserva foi um tiro no pé, para um candidato que busca desesperadamente ganhar alguma margem com os evangélicos. Foi um desfile para convertidos, que, como propaganda eleitoral, deve ter tido uma eficácia baixíssima. Por outro lado, ao enveredar pela ideologia, pode ter afastado ainda mais o eleitor conservador.

Alguém pode dizer que são ainda muitos meses até a eleição, e, até lá, esse episódio já terá sido esquecido. Não, se a oposição souber explora-lo.

Marcelo Guterman. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.

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da Redação