Desabafo de cliente indignado viraliza na rede: "Eu não quero um desconto ilícito, quero a verdade"

Acabei de sair de uma certa loja de departamentos no shopping e fiquei impressionado com o nível de falta de caráter e injustiça do caixa, vendedores e até mesmo do supervisor.

Ao tentar pagar a conta fiquei, pasmem, 32 minutos, explicando para a moça do caixa que eu não queria fazer meu cadastro na loja. Ela me respondia que eu não precisava fazer o cartão, bastava eu dar meu CPF. Eu disse que sabia que o CPF era pra fazer o cartão da loja e agradeci educadamente mas declinei a oferta. Ela tentou de tudo, chegou até a apelar pro meu emocional, dizendo: "Mas eu vou perder o emprego se eu não bater meta!" Disse ela. Ao que respondi: "Não, você não vai perder seu emprego por isso".

A fila atrás de mim foi aumentando com pessoas querendo pagar suas compras, mas ela não aceitava que eu não "aceitasse os dez por cento de desconto".

Insisti com ela que eu não queria fazer o cartão ao que ela me respondeu que eu não precisava fazer o cartão, bastava fazer o cadastro. Com uma paciência que até eu não sabia que tinha, expliquei pra ela que se a loja queria meu cadastro certamente era para fazer um cartão da loja.

O telefone ao lado do caixa tocou, era a supervisora querendo saber o porquê da fila estar aumentando. Ela explicou que era porque eu não queria o "desconto". A supervisora veio e abriu um outro caixa para atender a fila que se formou atrás de mim e me assegurou que não iriam fazer um cartão, que era só um cadastro para mailing e que eu receberia 10%'de desconto em minha compra.

Ok, disse eu, e dei meus dados para o "cadastro". Ela então imprimiu uma folha e trouxe pra mim, dizendo: Basta assinar aqui e aqui. O texto todo era minúsculo, mesmo assim eu li o que estava escrito antes de assinar, é lógico.

Basicamente era um contrato de adesão ao cartão da loja administrado pela Bradesco Cartões. Eu então sublinhei o texto e disse: "Querida, eu não vou assinar isso porque, como eu disse há meia hora atrás, eu não quero fazer o cartão da loja. Ao que um outro atendente disse: "Você assina pra emitir o plástico mas nós cancelamos aqui no sistema e você ganha os 10% de desconto." Eu disse: "Querido, isso é errado, certamente a diretoria de sua loja não concordaria com isso. Vcs estão batendo metas e recebendo comissões injustamente, se aproveitando de uma brecha no sistema. "Mas se você não assinar não ganha os 10%" disse ele, ao que respondi:

Eu não quero um desconto ilícito, quero a verdade, quero justiça e paz. Nós lutamos pelo impeachment da presidente e clamamos pelo fim da corrupção, mas nós aproveitamos de toda e qualquer brecha no sistema para "Nos darmos bem".

Os três atendentes ficaram mudos olhando pra mim, parecia que estavam diante de um Alien, "Se não estamos dispostos a começar em nós..." Completei, "...como é que vamos construir um Brasil melhor para nossos filhos?"

O que aconteceu depois disso foi uma cena digna de um funeral. Cabisbaixos e calados, a supervisora e o outro atendente se retiraram, ele levando consigo o contrato sem assinar, silenciosamente o rasgou e jogou no lixo. A moça do caixa finalizou minha compra. Paguei, finalmente, agradeci e saímos da loja com nossa compra e com um gosto agridoce na boca, com um sentimento dicotômico e dualista: Primeiro sentimos paz por ter feito a coisa certa. Segundo um sentimento de decepção e tristeza em ver como a corrupção tomou conta dos corações das pessoas de tal maneira que elas parecem ter seu senso de moral adormecido, amortecido, dormente.

Precisamos ajudar essa geração a entender que a ausência de consequências em um ato ilícito não o torna lícito. Ou seja, só porque algo ilícito não terá consequências pra mim isso não significa que posso fazê-lo. Meu senso de moral precisa ser mais forte que meu oportunismo ilegal, do contrário sou tão culpado quanto o ladrão que rouba meu carro ou meu celular e tão corrupto quanto o político que rouba milhões dos cofres públicos. Bem, fica aqui meu desabafo. Lutemos por um Brasil melhor.

E como dizem as nossas cédulas monetárias, Deus seja louvado!

Autor:  Ed Rocha

da Redação

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