Condenado a mais de 420 anos de cadeia, Cabral arruma esquema para obstruir processos
27/02/2026 às 11:42 Política
A Polícia Federal localizou conversas entre o ex-governador Sérgio Cabral e o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar. As mensagens foram encontradas no relatório de 188 páginas sobre o caso TH Joias. Os diálogos indicam que Cabral buscava decisões favoráveis no Tribunal de Justiça do Rio por meio de Bacellar.
Os diálogos via WhatsApp foram extraídos do aparelho celular de Bacellar. Em maio de 2025, Cabral pediu que Bacellar recebesse sua advogada. O assunto era a "situação de improbidade" que tramitava na Sexta Câmara de Direito Público do TJRJ. O ex-governador escreveu: "Muito importante para mim". O objetivo era retirar o julgamento da pauta.
No dia previsto para o julgamento, Cabral descobriu que o processo havia sido removido da pauta. Ele enviou mensagem a Bacellar:
"Irmão! Saiu de pauta o meu processo. Você é um querido!!!! Te amo, amigo!!!"
A manifestação de gratidão ficou registrada nas conversas analisadas pela investigação.
ESQUEMA DE INFLUÊNCIA NO JUDICIÁRIO FLUMINENSE
A Polícia Federal interpreta as mensagens como evidências de um esquema que ultrapassava relações pessoais. Segundo a corporação, Bacellar usava sua posição política para criar vínculos de obrigação com diversos agentes públicos. O caso envolvendo Cabral seria exemplo do que a PF chama de "capital" político acumulado por Bacellar. Ele teria se estabelecido como figura capaz de "articular favores espúrios" em diferentes esferas do poder público.
O relatório policial sugere que essa estrutura de influência beneficiou outras pessoas além de Cabral. A investigação cita o traficante conhecido como TH Joias. A PF aponta que essa rede teria contribuído para a ascensão política de Bacellar. A corporação caracteriza o esquema como "Estado paralelo" no Rio de Janeiro. A documentação indica ramificações em diversos setores da administração pública estadual.
A investigação menciona Macario Judice como intermediário. Ele teria facilitado a expansão da rede de influência de Bacellar junto aos tribunais. Segundo a Polícia Federal, Macario teria assinado decisões judiciais favoráveis a Cabral e à ex-esposa dele, Adriana Ancelmo. As informações reforçam a tese da corporação sobre a existência de uma organização criminosa com penetração sistemática nas instituições fluminenses.
A defesa de Rodrigo Bacellar contestou as acusações apresentadas pela Polícia Federal. O advogado Daniel Bialski classificou as conclusões da investigação como "ilações desamparadas". O jurista declarou: "Em relação ao presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro Rodrigo Bacellar, inexiste qualquer elemento probatório para pretender lhe imputar qualquer participação em ilicitude e ou vazamento, ao contrário, só há ilações desamparadas". A defesa nega qualquer irregularidade por parte de Bacellar.
Sérgio Cabral informou que apresentou recurso após resultado desfavorável na Sexta Câmara. O ex-governador não detalhou outros aspectos relacionados ao caso. A manifestação de Cabral se limitou a confirmar a existência do recurso judicial contra a decisão proferida pela câmara do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Estamos sobrevivendo graças a ajuda de nossos assinantes e parceiros comerciais. Para fortalecer a nossa batalha, considere se tornar um assinante, o que lhe dará o direito de assistir o primeiro PODCAST conservador do Brasil e ter acesso exclusivo ao conteúdo da Revista A Verdade, onde os "assuntos proibidos" no Brasil são revelados. Para assinar, clique no link: https://assinante.jornaldacidadeonline.com.br/apresentacao
SEU APOIO É MUITO IMPORTANTE! CONTAMOS COM VOCÊ!
da Redação