Gustavo Reichenbach

Articulista

Arrependimento, perdão e justiça divina

Estamos novamente no fim de mais um ano, algumas cicatrizes de lutas, novas estratégias e projetos para o ano vindouro, seja como for sempre é uma época que demanda reflexão e reavaliar os rumos que nossa vida segue. Assim, trago um artigo sucinto sobre o perdão, suas consequências e interligações.

Como cristão que sou, minha missão maior é divulgar as boas novas de Deus, sua palavra de amor, e a expressão máxima do amor divino é o perdão, até mesmo perdoar o imperdoável.

É muito comum ouvir descrentes criticarem o dogma cristão relativo ao perdão, em que mesmo se o autor de um crime hediondo se arrepender verdadeiramente, Deus não deveria aceitá-lo no paraíso.

Defendo como moralmente correta essa decisão, porque se o arrependimento for verdadeiro, a essência do criminoso foi corrigida, transformada de maligna para benigna, caso o arrependimento seja profundo e verdadeiro, que fique bem claro.

Por exemplo, o autor de um assassinato premeditado que no ato do planejamento do crime já pense em buscar o perdão futuro, dificilmente será perdoado (a decisão final é exclusivamente de Deus), pois ele já visava pedir perdão antes de cometer o assassinato, assim não há real arrependimento e consequentemente não há real transformação da natureza moral do assassino, logo não há paraíso para essa pessoa.

Por outro lado, a questão da vingança, tão forte ao humano que é prejudicado por outro humano, é inútil tanto em restaurar o prejuízo quanto em mudar a natureza do criminoso, sendo uma futilidade pra aplacar a ira humana em um sentimento de revanche.
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A vingança é uma ferramenta totalmente inútil e improdutiva, traz apenas uma satisfação pessoal, prazer esse que devemos evoluir pra superar essa futilidade. A vingança por si só é maligna, e nada de bom a acompanha.

Levando a questão pra outro lado, não defendo a abolição das prisões a qualquer criminoso que peça o perdão de Deus, afinal não há como saber se ele continua uma ameaça para a sociedade ou não. Ele pode ser perdoado perante Deus e permanecer recluso da sociedade.

Acrescento também que é possível perdoar perante Deus mesmo o que é humanamente imperdoável, basta declarar a real intenção do perdão, e com frequência renovar em orações perante Deus essa intenção de perdoar, até que Deus e o próprio tempo ajudem com que o perdão ocorra efetivamente.

E o interessante é que o perdão está disponível para todo ser humano independente de suas convicções ou ausência de religiosidade. Definitivamente o perdão é bom para todos.

O real arrependimento é um recomeço, o perdão é parte da evolução moral e uma dádiva a quem o pratica e a justiça a Deus pertence. A expressão máxima da virtude humana é perdoar o imperdoável.

Será que você tem algo ou alguém a perdoar? Talvez até a si mesmo? Perdoe, simplesmente perdoe e as consequências positivas não tardarão a chegar.

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