
Cozinheira move ação trabalhista contra Neymar e revela carga de trabalho anormal

06/03/2026 às 16:52 Direito e Justiça

Uma cozinheira ingressou na Justiça do Trabalho com um processo contra o jogador Neymar Jr., alegando ter enfrentado jornadas excessivas durante o período em que trabalhou em uma das residências do atleta em Mangaratiba, no litoral do Rio de Janeiro. A ação tramita no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região.
O processo também inclui uma empresa terceirizada responsável pela contratação da profissional para prestar serviços na casa do jogador do Santos. Segundo a ação, a cozinheira chegou a trabalhar até 16 horas por dia e preparava refeições diariamente para grupos que podiam ultrapassar 150 pessoas.
Conforme o documento apresentado à Justiça, ao qual a coluna teve acesso, a profissional atuou entre julho do ano passado e fevereiro deste ano na residência principal do atleta, conhecida como Casa Hotel Portobello. O trabalho também incluía atividades em uma propriedade localizada no condomínio vizinho, o Condomínio Portobello.
O contrato previa expediente das 7h às 17h de segunda a quinta-feira e das 7h às 16h às sextas-feiras. No entanto, segundo a cozinheira, a jornada frequentemente ultrapassava esse limite. De acordo com a ação, o expediente costumava exceder 14 horas diárias, podendo se estender até as 23h ou mesmo até a meia-noite em determinadas ocasiões.
A profissional afirma que era responsável por preparar todas as refeições do dia — do café da manhã ao jantar — para o jogador e convidados que frequentemente visitavam a propriedade.
“Além da carga excessiva de trabalho, a reclamante sempre executou atividades que exigiam esforço físico intenso desde o início do contrato, carregando constantemente peças de carne com peso médio de 10 quilos, realizando controle de geladeiras, bem como carregando e descarregando compras do supermercado, com grande quantidade de sacolas pesadas, permanecendo longos períodos em pé durante toda a jornada”, afirmam os advogados da trabalhadora na petição.
De acordo com o relato apresentado no processo, o esforço físico exigido pelas atividades teria provocado problemas de saúde, incluindo dores na coluna e inflamação no quadril. A cozinheira afirma ter realizado exames e consultas médicas para diagnosticar as lesões e solicita o pagamento de pensão.
Embora o salário registrado fosse de aproximadamente R$ 4 mil, a trabalhadora afirma que recebia, em média, cerca de R$ 7,5 mil por mês ao considerar horas extras e adicionais. Ainda assim, segundo a ação, a jornada extrapolava os limites previstos no contrato.
A profissional também afirma que, apesar de ter sido contratada para trabalhar apenas durante os dias úteis, frequentemente prestava serviços aos fins de semana, especialmente aos domingos.
“A reclamante não usufruiu regularmente do intervalo intrajornada. Durante todo o pacto laboral, a reclamante era obrigada pela reclamada a registrar o ponto relativo ao intervalo intrajornada, embora permanecesse em efetivo labor nesse período”, sustenta a defesa da cozinheira.
De acordo com o artigo 71 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), jornadas superiores a seis horas exigem a concessão de intervalo mínimo de uma hora para descanso ou alimentação.
Na ação, a trabalhadora solicita que Neymar e a empresa terceirizada sejam condenados ao pagamento de aproximadamente R$ 262 mil. O valor inclui verbas rescisórias, FGTS e multa, pagamento de horas extras e intervalos não concedidos, indenização por danos morais, além de despesas médicas e pensão.
Procurada para comentar o caso, a assessoria do jogador informou que não irá se manifestar no momento.
O atleta possui duas mansões em Mangaratiba. Uma delas, onde a cozinheira afirma ter trabalhado, está avaliada em cerca de R$ 28 milhões e possui aproximadamente 5 mil metros quadrados, seis suítes, piscina, ampla área de lazer e uma estrutura adicional com dez suítes destinadas a hóspedes e amigos.
A outra residência do jogador fica no condomínio Aero Rural e ganhou notoriedade após a construção de um lago artificial no local. O imóvel chegou a ser alvo de interdição pela Secretaria de Meio Ambiente de Mangaratiba. Na época, Neymar foi multado em R$ 16 milhões, mas conseguiu suspender a cobrança e acabou posteriormente absolvido no caso.
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