
Delator de Lulinha está em perigo, sofre ameaças e pede proteção do Estado

11/03/2026 às 18:09 Direito e Justiça

Um dos principais delatores nas investigações que envolvem o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que teme por sua segurança e solicitou proteção policial. Até o momento, porém, as medidas de segurança ainda não foram implementadas.
A pedido do próprio colaborador das investigações, sua identidade não foi divulgada publicamente. O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça no STF.
Em depoimentos prestados à Polícia Federal (PF) ao longo de 2025, o delator afirmou que o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, teria realizado pagamentos mensais a Lulinha. Segundo o relato, os valores seriam destinados a facilitar o acesso a órgãos de saúde do governo federal para a comercialização de produtos ligados ao canabidiol. As defesas de Camilo Antunes e de Fábio Luís Lula da Silva negam as acusações.
No mês de fevereiro deste ano, os advogados do delator apresentaram uma petição ao ministro André Mendonça relatando a situação de risco. No documento, a defesa afirma que o colaborador foi ouvido pelas autoridades no âmbito das investigações da chamada Operação Sem Desconto e forneceu informações consideradas relevantes para o avanço do caso.
De acordo com os advogados, após prestar depoimento, o delator passou a enfrentar exposição indevida, agravada por vazamentos de informações relacionadas às suas declarações. A defesa também afirma que surgiram indícios de que imagens pessoais dele e de familiares — especialmente de sua filha — teriam sido retiradas de redes sociais e compartilhadas com terceiros.
Na petição enviada ao Supremo, os advogados sustentam que a proteção da integridade física e psicológica do delator é fundamental não apenas para sua segurança pessoal, mas também para assegurar que as investigações possam continuar de forma segura.
Segundo a defesa, o colaborador “limitou-se ao cumprimento de dever cívico, ao colaborar com as autoridades mediante o fornecimento de informações relevantes e que viabilizaram providências relevantes pelos órgãos encarregados da investigação em curso”.
O documento ainda afirma que a preservação da segurança do delator é necessária para garantir que a apuração dos fatos seja conduzida de forma eficaz e sem riscos à sua integridade.
O próprio delator relatou que chegou a receber proposta para ingressar em um programa oficial de proteção a testemunhas. No entanto, decidiu não aderir às condições apresentadas, por considerar que as exigências seriam excessivamente restritivas.
Esse tipo de programa pode envolver medidas como mudança de domicílio, preservação da identidade e restrições de contatos pessoais e profissionais, o que, segundo ele, traria impactos profundos em sua vida familiar e profissional.
A defesa argumenta que seria possível adotar medidas alternativas e menos invasivas, como acompanhamento institucional, reforço pontual de segurança e ampliação de mecanismos de sigilo e proteção de dados pessoais.
O ministro André Mendonça autorizou a adoção de medidas de proteção. Apesar disso, segundo relato do próprio delator à imprensa, ainda não houve avanço nas tratativas com a Polícia Federal.
Fontes da corporação afirmaram que a instituição não negocia formatos específicos de proteção individual. De acordo com essas fontes, a pessoa que solicita segurança precisa aderir aos programas oficiais previstos na legislação vigente.
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