Malu Gaspar, peixe grande demais para o Inquérito das Fake News

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O nome “inquérito das fake news” tornou-se impróprio. Deveria ser rebatizado de “inquérito das real news inconvenientes”. Este caso do blogueiro do Maranhão é ilustrativo.

O jornalista Luís Pablo Conceição Almeida está sendo acusado do crime de “perseguição” (stalcking). Ora, o crime de perseguição é tipificado quando envolve ameaça física. O jornalista estava, de fato, “perseguindo” Flávio Dino e sua família, mas no contexto do seu dever de ofício, que é trazer à luz do dia fatos que as autoridades prefeririam manter ocultos aos olhos da sociedade.

O fato de o blogueiro ser alinhado politicamente ao campo adversário de Dino no Estado não ameniza o achaque, pelo contrário. Ao ataque à liberdade de imprensa junta-se a perseguição política por parte da mais alta Corte do país contra um desafeto de um dos ministros.

Se não há nada de errado no uso de veículo do TJ do Maranhão por parte da família Dino, bastaria esclarecer o distinto público, coisa que Dino, tentou fazer. Mas era preciso dar um “corretivo” à altura. Assim, Flávio Dino mobilizou a máquina persecutória do Estado contra o blogueiro. O PGR, tão lento em outras questões, não se furtou a apontar indícios de crime, e o ministro Zanin, a quem coube o processo por sorteio, identificou “ameaça a instituições democráticas”, razão pela qual deveria ficar sob a relatoria do milionário ministro Alexandre de Moraes no inquérito das real news inconvenientes.

Primeiro foi a família no aeroporto de Roma. Depois, Tagliaferro. A seguir, foram os auditores da Receita. Agora, é o blogueiro do Maranhão. Todos peixes pequenos o suficiente para que o relator do inquérito das real news inconvenientes demonstrasse o seu poder sem correr grandes riscos. A rigor, fosse Malu Gaspar um blogueiro bolsonarista obscuro, já estaria desmonetizada e banida das redes sociais. Afinal, quer maior “ameaça às instituições” do que o trabalho da jornalista? Mas como se trata de uma jornalista da Globo, é peixe grande demais. É mais seguro ser tigrão com quem não tem poder.

Marcelo Guterman. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.

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